Economia

Playboy retornará a Wall Street repaginada

Playboy retornará a Wall Street repaginada

Darva Conger na capa da revista Playboy, em junho de 2000 - AFP

A Playboy Enterprises, editora da famosa revista homônima, passará a integrar a bolsa de valores de Nova York por meio de uma “sociedade de aquisição de propósito específico (SPAC)”, uma empresa que já tem capital aberto e que permite evitar o tradicional lançamento da oferta de ações.

A publicação septuagenária, cuja versão impressa desapareceu em março para se tornar somente digital, informou em comunicado nesta quinta-feira (1º) que pretende ter cotas na bolsa para “acelerar o desenvolvimento dos seus produtos”, afirmou Ben Kohn, presidente da Playboy.

Seu fundador, Hugh Hefner, falecido em 2017, havia retirado a empresa da bolsa em 2011.

Nesta quinta-feira, a Playboy Enterprises anunciou a primeira etapa do processo, que consiste na sua aproximação à Mountain Crest Acquisitions, empresa de investimentos criada para ser veículo de outros grupos, listada na Nasdaq desde junho.

Essa operação, que envolve a compra da Playboy, é de US$ 381 milhões, incluindo uma dívida de US$ 142 milhões, informaram as duas empresas.

“A Playboy é uma oportunidade de investimento única e irresistível com uma das marcas mais conhecidas do mundo”, ressaltou Suying Liu, presidente da SPAC Mountain Crest Acquisition.

As “SPAC” são empresas criadas por gestoras de investimento que têm como objetivo é se fundir em poucos meses com uma ou mais empresas criteriosamente escolhidas, com o intuito de que a abertura de capital aconteça sem passar pelo processo tradicional.

Trata-se de um caminho mais direto para entrar no mercado de ações.

Em 2019, este mecanismo foi usado pela empresa de turismo espacial Virgin Galactic e, mais recentemente, pelo fabricante de caminhões elétricos Nikola.

– A cultura do “prazer” –

A revista erótica, reconhecida em todo o mundo por seu logotipo – um coelho com uma gravata borboleta – declara ter “alcance global” em um mercado de mais de US$ 3 bilhões, e afirma vender seus serviços e produtos em 180 países.

“Nossa missão é criar uma cultura onde todos possam buscar o prazer”, ressalta o presidente da Playboy, Ben Kohn.

A revista existe desde 1953 e, ao longo de sete décadas, é rotineiramente criticada pela objetificação feminina.

Foi a primeira revista de impressão em massa a mostrar mulheres com os seios de fora, em uma época marcada pelo puritanismo. A Playboy quebrou tabus desde sua primeira edição, com a lendária atriz Marilyn Monroe na capa.

Atualmente, além de sua plataforma digital que oferece vídeos, fotos e jogos, a marca comercializa roupas e acessórios.

Na China, sua linha masculina é vendida em 2.500 lojas e em 1.000 lojas virtuais, relata de forma alegre o presidente da marca.

Quando o capital for aberto – no primeiro semestre de 2021, de acordo com o Business Insider – a Mountain Crest mudará sua sigla na Nasdaq de MCAC para PLBY ou Playboy.

Nesta quinta-feira, o título do “SPAC” operava em alta de 0,48%.

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