PlatôBR: Os preparativos do Planalto para o telefonema entre Lula e Zelensky

Presidentes do Brasil e da Ucrânia devem se falar ainda nesta semana. Script da conversa vem sendo negociado há dias, mas Planalto admite possibilidade de roteiro não ser cumprido

Ricardo Stuckert / PR e The White House
Foto: Ricardo Stuckert / PR e The White House

Assessores do presidente Luiz Inacio Lula da Silva e do presidente da Ucrânia, Volodimir Zelensky, estão em tratativas finais para acertar os detalhes da conversa que os dois devem ter, por telefone, ainda nesta semana. Até esta quarta-feira, 2, as equipes em Brasília e Kiev vinham acertando os termos do telefonema para deixar bem definido o que um vai apresentar ao outro.

O pedido para a conversa partiu de Zelensky, segundo o Palácio do Planalto. O presidente brasileiro revelou que falaria com o ucraniano ao responder a uma pergunta do PlatôBR ao final de sua viagem ao Japão e ao Vietnã.

Apesar de conversas assim seguirem um script desenhado previamente, sempre há possibilidade de algo sair do previsto – e um auxiliar de Lula diz que essa possibilidade bem sendo considerada.

A posição de Lula sobre a guerra na Ucrânia já é conhecida, e o Brasil tem interesse em tentar uma mediação, por avaliar que pode reforçar posições em favor de um cessar fogo já assumida anteriormente também por países como a China.

O presidente condenou a invasão da Ucrânia pela Rússia, mas defendeu que os dois países buscassem um acordo de paz. O Brasil não concordou, por exemplo, com a exclusão da Rússia de um recente encontro de líderes europeus, em Paris, para discutir o conflito na Ucrânia.

O governo brasileiro entende que nenhum dos lados está 100% certo nessa questão. Lula havia criticado Zelensky anteriormente depois de concluir que o ucraniano não estaria interessado na paz e no fim do conflito.

“Num conflito como esse, se os dois estiverem dispostos a negociar, será muito melhor para a Ucrânia, muito melhor para a Rússia, muito melhor para a Europa e muito melhor para o mundo. (…) Eu aprendi na minha vida política a fazer acordos. Ia na porta de uma fábrica, xingava o patrão, xingava a segurança da fábrica e ligava pro patrão: ‘Vamos negociar?’. E a gente negociava. Essa é a minha vida. E é isso que eu faço na política”, disse Lula na Ásia na semana passada.

Após o presidente americano Donald Trump repreender publicamente Zelensky, chamando-o de “ditador” e praticamente o expulsando da Casa Branca, o ucraniano reconsiderou propostas que haviam sido feitas pelo Brasil e também pela China para tentar encerrar a guerra.

Lula elogiou a posição de Trump em defesa de um cessar-fogo. Para o governo brasileiro, a posição manifestada por Trump reforçou o que Lula já vinha defendendo muito antes. A posição do Brasil sobre o conflito passou a ter mais peso agora, avaliam assessores de Lula.

Depois de falar com Zelensky, Lula irá a Moscou no dia 9 de maio para se encontrar com o presidente russo, Vladimir Putin. Ele foi convidado para acompanhar a celebração do Dia da Vitória, que comemora a derrota imposta à Alemanha de Adolf Hitler na Segunda Guerra.

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