O início do julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) da denúncia contra Jair Bolsonaro acelerou os movimentos dos políticos do campo da direita interessados em disputar a eleição para o governo de São Paulo no ano que vem. À medida que se torna mais provável a condenação do ex-presidente – já inelegível por decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) -, os pretendentes ao Palácio dos Bandeirantes agem com mais desprendimento, principalmente nos bastidores, na tentativa de viabilizar seus nomes.
Se Bolsonaro, de fato, ficar fora do páreo, aumentam as chances de o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) concorrer ao Planalto em 2026. Assim, a direita ficaria sem um candidato natural e, com a perspectiva de abertura de espaço, surgem postulantes de diferentes partidos. Nesse sentido, a novidade da semana é intenção do secretário de Governo e Relações Institucionais na gestão de Tarcísio, Gilberto Kassab, de disputar o Palácio dos Bandeirantes.
“O candidato em São Paulo é o Tarcísio, e o meu candidato será o dele. Caso ele decida disputar a presidência e avalie que o meu nome é o mais adequado, eu aceito a missão”, disse Kassab, que é ex-prefeito de São Paulo e presidente nacional do PSD, na segunda-feira, 24. “Se convocado para ser candidato, serei”, completou.
Caso confirme a disposição de concorrer na sucessão estadual, Kassab pode contribuir para uma possível pulverização do campo conservador. Vai disputar espaço, por exemplo, com outros partidos aliados de Tarcísio e, com isso, atrapalhará os planos do PL, que já tem um pré-candidato ao governo paulista, o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo, André do Prado. Também se confrontará com o MDB, pois o prefeito paulistano Ricardo Nunes (que teve o apoio de Tarcísio na reeleição no ano passado), emedebista, também já admite a possibilidade de concorrer.
Para alguns políticos aliados, ao tornar pública a vontade de se candidatar ao comando do estado, Kassab pode atrapalhar até o próprio Tarcísio. Embora o governador reafirme sempre a sua lealdade a Bolsonaro, o governador nos últimos meses apareceu constantemente ao lado do prefeito Ricardo Nunes em eventos e agendas políticas. Os dois parecem ensaiar uma dobradinha, com Tarcísio em uma chapa presidencial, e Nunes na disputa pelo Palácio dos Bandeirantes.
Também na faixa direitista, o Novo anunciou a intenção de apresentar o nome do deputado federal Ricardo Salles, ex-ministro do Meio Ambiente de Bolsonaro, e o Republicanos ensaia o lançamento do prefeito de Sorocaba (SP), Rodrigo Manga, chamado de prefeito “tiktoker” pelo uso intenso que faz das redes sociais para divulgar suas realizações.
Sonho de Kassab
A vontade de Kassab de governar São Paulo é conhecida dos políticos que o conhecem há mais tempo. O plano inicial, pelo que se sabia, era que Tarcísio concorresse à reeleição e apenas em 2030 tentaria chegar ao Planalto, já sem Lula candidato. Nesse cenário, Kassab desejaria ser o vice de Tarcísio na chapa da reeleição. Ao final do segundo mandato, Tarcísio concorreria ao Planalto e Kassab assumiria o governo, candidatando-se a um mandato completo na sequência. Agora, com a provável saída de cena de Bolsonaro, o plano inicial deve ser mudado.