Os planos de Israel para fortalecer seu controle na Cisjordânia ocupada, que abrem caminho para uma maior expansão dos assentamentos, representam um passo rumo ao reforço da anexação ilegal, lamentou nesta quarta-feira (11) o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk.
As novas medidas israelenses para a Cisjordânia, anunciadas neste fim de semana e condenadas internacionalmente, podem, segundo analistas, acelerar a anexação do território ocupado, facilitar a compra de terras por colonos e deslocar a população palestina para enclaves urbanos.
“Se essas decisões forem implementadas, sem dúvida acelerarão a desapropriação dos palestinos e seu deslocamento forçado, e levarão à criação de novos assentamentos israelenses ilegais”, afirmou Volker Türk em um comunicado.
“Este é mais um passo das autoridades israelenses para tornar impossível um Estado palestino viável, em violação ao direito do povo palestino à autodeterminação”, denunciou.
O presidente palestino, Mahmoud Abbas, pediu nesta quarta-feira, em Oslo, uma “resposta decisiva” dos Estados Unidos e da comunidade internacional após a aprovação das medidas pelo gabinete de segurança israelense.
Abbas afirmou ter conversado com o primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Støre, sobre essa decisão, assim como sobre a violência dos colonos israelenses e o congelamento, por Israel, de 4 bilhões de dólares (R$ 20,8 bilhões) em ajuda destinada ao povo palestino.
“Essas graves violações exigem uma resposta firme da administração dos EUA e da comunidade internacional, pois dificultam os esforços do presidente Trump e constituem uma violação do direito internacional”, disse à imprensa.
As novas medidas facilitam a compra de terras por colonos israelenses ao revogar uma lei de décadas que proibia judeus de comprar terras diretamente na Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.
Essas medidas também fortalecem o controle de Israel em partes da Cisjordânia onde a Autoridade Palestina, sediada em Ramallah, exerce poder.
As novas medidas também facilitam a administração por Israel de dois importantes locais religiosos no sul da Cisjordânia: o Túmulo dos Patriarcas, um local sagrado para as três religiões monoteístas em Hebron, e o Túmulo de Raquel em Belém.
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