Economia

Plano de infraestrutura do G7 enfrenta obstáculos

Plano de infraestrutura do G7 enfrenta obstáculos

Foto tirada em 29 de outubro de 2020 de uma usina elétrica na ilha indonésia de Bali - AFP


O plano de infraestrutura global proposto pelo G7 oferecerá aos países em desenvolvimento uma alternativa à “Nova rota da seda” da China, caso consiga superar uma montanha de obstáculos.

Ansioso por envolver seus aliados na rivalidade estratégica que opõe Estados Unidos e China, Joe Biden convenceu o G7 a lançar a iniciativa B3W, sigla em inglês de “Reconstruir um mundo melhor”, que permitirá investimentos nos países em desenvolvimento, uma área em que os chineses ganharam influência graças a bilhões de dólares de investimentos.

Mas o projeto de Pequim “não cumpriu muitas de suas promessas e gerou desconfiança em muitos países, abrindo uma janela para a iniciativa B3W”, resumiu Eswar Prasad, professor da Universidade Cornell e especialista em China.

Pequim lançou sua iniciativa em 2013 para desenvolver infraestrutura terrestre e marítima para ligar a China à Ásia, Europa e África.

Mas oito anos se passaram e as perguntas são inúmeras: ofertas “não transparentes”, suspeitas de corrupção para obter mercados e até desrespeito aos direitos humanos, sociais ou ao meio ambiente.

Como exemplo, a construção de uma usina hidrelétrica na ilha indonésia de Sumatra foi amplamente criticada por danos à floresta tropical que abriga o primata mais raro do mundo, o orangotango Tapanuli.

O Ocidente também reprova que Pequim incentive os países emergentes apegarem muito dinheiro emprestado para projetos que nem sempre têm utilidade econômica.

– Pontes e grandes casas –

Na África, a China conseguiu fechar contratos ao propor projetos muito mais baratos do que os de seus concorrentes.

“Aos poucos, os chineses eliminaram a concorrência das empresas locais”, resume um especialista em desenvolvimento daquele continente, sob condição de anonimato.

“No Mali, havia apenas uma ponte sobre o rio Níger em Bamako. Agora são três, e em breve serão quatro”, acrescentou, observando que os projetos foram acompanhados de presentes aos líderes políticos locais, como a construção de grandes casas.

O projeto do G7 é apresentado pela Casa Branca como “uma parceria para infraestrutura de alta qualidade (…) e transporte liderada pelas grandes democracias para ajudar a reduzir as necessidades em infraestrutura de mais de 40 bilhões de dólares no mundo em crescimento”.

– Prestígio –

Os dirigentes do Grupo dos Sete (G7), que reúne as potências industrializadas, esperam desempenhar o papel de catalisadores para atrair financiamento privado.

Mas para o especialista em desenvolvimento, as dificuldades técnicas e a insegurança endêmica desempenham um papel importante em algumas regiões.

Como convencer as empresas a implantarem projetos diante de uma ameaça terrorista? Uma vez feitos os projetos, como escolas, como garantir que um professor queira se acomodar apesar de tudo? Como garantir a segurança da infraestrutura que poderia ser alvo de milícias locais?

“O (projeto) B3W deve ter eco entre os líderes dos países em desenvolvimento”, consideram em nota Matthew Goodman e Jonathan Hillman, especialistas do Center For Strategic International Studies. Para eles, “muitos estarão impacientes para expandir suas opções” e ganhar “o prestígio” da marca B3W.

Em contrapartida, eles terão que aceitar mais controle, custos mais altos e tempos de conclusão mais longos.

Uma questão importante será saber qual será o papel do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial (BM), instituições financeiras centrais para projetos de desenvolvimento.

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