Ediçao Da Semana

Nº 2741 - 05/08/22 Leia mais

Muito mais do que desespero ou golpe eleitoral, a chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Kamikaze, aprovada ontem, quinta-feira (30/6) no Senado Federal, que, dentre outras medidas eleitoreiras prevê o aumento provisório do Auxílio Brasil, um vale-caminhoneiro e a gratuidade em transporte público, ao custo total de 40 bilhões de reais, parece ter como pano de fundo a inviabilidade fiscal do próximo governo. Mas não só.

Sob o comando de Arthur Lira, presidente da Câmara, a base governista (leia-se, centrão) prepara uma outra bomba de efeito paralisante para o futuro governante: a manutenção compulsória das emendas do relator, base das tais emendas secretas. Uma vez aprovada a nova lei, o governo seguinte será ainda mais refém do Congresso Nacional. O Brasil que se prepare, pois, para mais confusão institucional e menos paz social.

O leitor menos atento pode estar se perguntando: qual o interesse de Jair Bolsonaro em sabotar a si mesmo, caso vença a eleição? Bem, o verdugo do Planalto sabe que essa possibilidade é cada vez mais remota, portanto, tudo o que fizer hoje, para atrapalhar a provável futura gestão petista, será pouco. O amigão do Queiroz, também, investirá ainda mais forte, daqui para frente, em suas teorias conspiracionistas e golpistas.

A ideia é clara e uma só: manter-se eleitoralmente forte e ativo, enquanto seus arruaceiros digitais – o próprio filho, inclusive – cuidam de conspirar, dia e noite, contra a democracia. Assim, não só manterá a crispação eleitoral e a cisão social em alta, como pavimentará o próprio caminho para uma possível volta, nos moldes do que fez e faz Donald Trump nos EUA. Fantasia, exagero meu? Bem, vejam o que está em curso nas terras do Tio Sam.

O plano objetiva dois intentos: retomar o poder e, talvez ainda mais importante, escapar da Justiça. Que o devoto da cloroquina irá sofrer uma enxurrada de ações judiciais tão logo seja alijado do Planalto, isso ninguém duvida. Uma vez em curso, diante do sistema judiciário do Brasil, a possibilidade de uma condenação em apenas quatro anos é nenhuma. Dessa forma, faz-se necessário e imprescindível o retorno à Presidência em 2026.

Com isso, meus caros, uma coisa é certa: os próximos oito anos, no mínimo!, serão mais do mesmo. Um País com o caixa estourado, sem capacidade de investimento, sem credibilidade nacional e internacional, entregue a projetos populistas e autocratas de Poder – seja o meliante de São Bernardo ou o patriarca do clã das rachadinhas o presidente -, com pouco ou nenhum crescimento econômico e outras catástrofes de cunho social.

A década dos anos 1980 foi apelidada de ‘década perdida’. Pior: os anos posteriores não se mostraram mais prósperos. Hoje, após a hecatombe sócio-econômica protagonizada pelos anos de cleptocracia populista lulopetista, agravada sobremaneira por este desgoverno aloprado, caminhamos a passos largos para outro ciclo de retrocesso. O Brasil, cada vez mais, prova ser o país do futuro, ou seja, aquele lugar imaginário onde nunca chegamos.