PIB da Índia avança mais que o esperado, mas perspectivas são incertas por tarifas

A economia da Índia cresceu a um ritmo mais rápido que o esperado no trimestre entre abril e junho, segundo dados oficiais publicados nesta sexta-feira (29), mas as preocupações com as tarifas dos Estados Unidos afetam as perspectivas para o restante do ano fiscal.

De acordo com os dados do Ministério de Estatísticas indiano, o Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,8% nos três meses que terminaram em 30 de junho, na comparação com o mesmo período do ano anterior, superando as expectativas dos analistas (6,7%).

A economia do país cresceu 7,4% no trimestre anterior.

O forte desempenho no trimestre encerrado em junho foi motivado, em parte, pelo maior gasto governamental, o bom crescimento no setor manufatureiro e à melhora na confiança dos consumidores.

Os dados confirmam a posição da Índia como a grande economia de crescimento mais expressivo no mundo e representam uma boa notícia para o primeiro-ministro, Narendra Modi, que precisa lidar com a dura ofensiva das tarifas impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Trump impôs tarifas de 50% – que estão entre as mais elevadas do mundo – sobre a maioria dos produtos indianos como punição a Nova Délhi por comprar petróleo russo, comércio que segundo Washington financia a invasão de Moscou à Ucrânia.

As exportações indianas para os Estados Unidos permaneceram estáveis em grande parte entre abril e julho, principalmente devido à antecipação dos envios por parte dos exportadores para evitar as tarifas e ao sólido crescimento das exportações isentas, como os iPhones da Apple.

Mas com a entrada em vigor das tarifas de 50% nesta semana, os analistas projetam uma forte queda nas exportações.

“Tememos que o crescimento seja reduzido nos trimestres subsequentes, em meio à contínua incerteza induzida pelas tarifas”, afirmou Aditi Nayar, da agência de classificação de crédito ICRA, em um comunicado.

A Global Trade Research Initiative, um grupo de especialistas com sede em Nova Délhi, calcula que, se as tarifas severas forem mantidas, as exportações da Índia podem cair para cerca de 49,6 bilhões de dólares (169 bilhões de reais) no ano fiscal atual, contra 86,5 bilhões de dólares (469 bilhões de reais) registrados em envios no último ano fiscal.

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