PGR pede ao STF para aguardar fim da CPI em vez de instaurar investigação contra Bolsonaro

PGR pede ao STF para aguardar fim da CPI em vez de instaurar investigação contra Bolsonaro

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) – A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu nesta terça-feira ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a corte não dê andamento, por ora, a pedido de três senadores para que o Ministério Público instaure denúncia contra o presidente Jair Bolsonaro por suposto crime de prevaricação em caso envolvendo suspeitas de irregularidades na compra da vacina Covaxin.

A manifestação da PGR, assinada pelo vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, aponta ser “oportuno que o Ministério Público aguarde a conclusão das apurações pela CPI, em vez de instaurar uma investigação concorrente sobre os mesmos fatos envolvendo a vacina Covaxin”, segundo nota da procuradoria.

Medeiros aponta que seria “por demais extraordinário” o Ministério Público saltar de uma notícia-crime a uma ação penal sem ao menos uma investigação, e lembra que já estão em curso apurações criminal e cível sobre a aquisição do imunizante.

O vice-PGR também pede à relatora do caso, a ministra do STF Rosa Weber, que abra a possibilidade de uma nova manifestação do Ministério Público caso tenha entendimento diferente.

A notícia-crime apresentada pelos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Fabiano Contarato (Rede-ES) e Jorge Kajuru (Pode-GO) tem como base depoimentos do deputado Luís Miranda (DEM-DF) e do irmão dele, o servidor do Ministério da Saúde Luís Ricardo Miranda, à CPI da Covid na última sexta-feira. Os irmãos afirmaram que alertaram Bolsonaro sobre suspeitas na importação da Covaxin.

Segundo os parlamentares, há “grandes chances” de Bolsonaro ter cometido o crime de prevaricação ao não ter atuado sobre as suspeitas de irregularidades.

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