PF prende espanhol condenado por massacre em Madri

SÃO PAULO, 7 DEZ (ANSA) – A Polícia Federal brasileira prendeu na noite desta quarta-feira (5) o espanhol Carlos Garca Juliá, condenado por um massacre terrorista em Madri, na Espanha, em 1977. Segundo as autoridades, ele estava foragido no país desde 2001 e utilizava uma identidade falsa venezuelana.   

Juliá solicitou visto temporário no Brasil em 2009, alegando que era motorista de aplicativo. Para as autoridades brasileiras, ele era o venezuelano Genaro Antonio Materan Flores. A prisão foi feita na casa do espanhol, no bairro da Barra Funda, zona oeste da cidade, após investigação conjunta entre a PF e a Polícia Nacional da Espanha, com colaboração da Interpol.   

Juliá já havia cumprido 14 dos 193 anos a que foi condenado na Espanha em 1980, por cinco assassinatos e quatro tentativas de homicídio. Ele foi um dos autores do atentado conhecido com “Massacre de Atocha”, em que Juliá e o cúmplice José Fernández Cerra invadiram um escritório de advocacia trabalhista de Madri em busca do dirigente do Partido Comunista espanhol Joaquin Navarro. Juliá pertencia ao grupo de extrema-direita “Falange” e a outras agremiações radicais.   

“É importante destacar que foi um trabalho árduo, com muita metodologia e muito sistema. Tínhamos notícias de que ele poderia estar em algum país da América Latina e que estava utilizando uma identidade falsa. Trocamos dados com diversos países. Tivemos a sorte e o trabalho de encontrar uma pista importante”, disse o delegado Marcos Frias Barbens, da Polícia Nacional Espanhola. As autoridades do país pedirão a extradição do condenado, que tem 65 anos e cometeu os crimes quando tinha 24. Em 1994, Juliá foi autorizado a viajar para o Paraguai por ter recebido uma proposta de trabalho, mas a Justiça espanhola revogou o benefício. Após passar por Bolívia, Argentina, Chile e Venezuela, onde tinha prisão decretada por envolvimento com tráfico de drogas e financiamento de grupos paramilitares, ele veio ao Brasil, onde acabou preso. (ANSA)