PF investiga se Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após ordem de Moraes

Polícia busca informações com autoridades argentinas sobre possível passagem do senador pela fronteira; aliado nega saída do país

Carlos Moura/Agência Senado | Edição: IstoÉ
Foto: Carlos Moura/Agência Senado | Edição: IstoÉ

A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixou o Brasil após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar a entrega de seus passaportes e proibi-lo de viajar ao exterior.

A suspeita, apurada nesta terça-feira (27), envolve uma possível viagem à Argentina, de onde o parlamentar poderia embarcar em uma aeronave particular com destino aos Estados Unidos.

A investigação ocorre dois dias depois da derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais.

Até o momento, não há confirmação de que o senador tenha deixado o território brasileiro.

A Polícia Federal busca informações junto às autoridades argentinas para esclarecer a situação.

PF apura possível passagem pela Argentina

A suspeita ganhou força após a divulgação de informações pelo portal argentino Infobae, segundo as quais Flávio Bolsonaro poderia utilizar um avião particular no aeroporto de Puerto Iguazú, cidade argentina próxima à fronteira com o Brasil.

A aeronave mencionada seria um Gulfstream G400 pertencente à empresa Baires Fly.

O portal argentino divulgou uma fotografia do avião na pista do aeroporto.

A existência da aeronave no local, entretanto, não comprova que o senador tenha embarcado ou sequer ingressado na Argentina.

Segundo as informações divulgadas sobre a apuração, a Polícia Federal não identificou registros de saída de Flávio pelos postos oficiais de controle migratório brasileiros.

Os investigadores também consideram a possibilidade de uma travessia por um ponto não fiscalizado da fronteira, hipótese que ainda depende de confirmação.

Governo argentino nega entrada do senador

A suspeita de uma passagem pelo país vizinho foi contestada por representantes do governo argentino.

Segundo informações divulgadas pela agência Bloomberg, o secretário de imprensa do presidente Javier Milei negou que Flávio Bolsonaro tenha ingressado na Argentina.

A Polícia Federal brasileira procura esclarecer a situação por meio do intercâmbio de informações com as autoridades do país.

Até a conclusão dessas verificações, não é possível afirmar que o parlamentar tenha realizado qualquer deslocamento internacional.

Rogério Marinho nega que Flávio tenha deixado o Brasil

O senador Rogério Marinho (PL-RN), que coordenou a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, negou nesta terça-feira que o parlamentar tenha saído do país.

Questionado sobre a suspeita, Marinho respondeu que Flávio não deixou o território brasileiro.

A declaração contraria a hipótese investigada pela Polícia Federal.

Até a divulgação das informações consultadas, não havia confirmação pública da localização do senador por sua assessoria.

Moraes determinou entrega de passaportes em 24 horas

A apuração sobre uma possível saída do Brasil ocorre após uma decisão de Alexandre de Moraes que estabeleceu medidas cautelares contra Flávio Bolsonaro.

O ministro determinou o cancelamento de seus passaportes brasileiros e a entrega, no prazo de 24 horas, de eventuais documentos de viagem de outras nacionalidades.

A decisão também proibiu o senador de deixar o país e de manter contato com o advogado e empresário Willer Tomaz.

Flávio foi intimado pela Polícia Federal na manhã de segunda-feira (26), quando deixava a residência de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

Na ocasião, o senador divulgou um vídeo nas redes sociais criticando a determinação judicial.

Ele afirmou que cumpriria a ordem e contestaria a medida por meio de sua defesa.

Por que Flávio Bolsonaro está sendo investigado?

A determinação de Moraes foi adotada no âmbito de um inquérito que apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

A investigação envolve possíveis movimentações financeiras relacionadas ao advogado Willer Tomaz, que mantém uma relação de amizade com o senador.

Entre os pontos analisados estão operações financeiras, vínculos empresariais e eventuais irregularidades envolvendo empresas ligadas ao setor de apostas.

Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz negam a prática de irregularidades.

O inquérito tramita sob sigilo, e as suspeitas investigadas ainda não representam uma conclusão sobre a responsabilidade criminal dos envolvidos.

Flávio havia negado intenção de sair do país

Ao comentar a ordem de entrega dos passaportes, Flávio Bolsonaro afirmou que nunca teve intenção de deixar o Brasil.

O senador relacionou a medida judicial a uma declaração de seu irmão Eduardo Bolsonaro, que está nos Estados Unidos.

Antes do segundo turno, Eduardo havia defendido que Flávio deixasse o país caso fosse derrotado na disputa presidencial.

Em vídeo publicado na segunda-feira, Flávio criticou a utilização dessa declaração como justificativa para restringir suas viagens.

O parlamentar também afirmou que permaneceria no Brasil para organizar a oposição ao governo Lula.

O que acontece se a saída do país for confirmada?

Caso seja comprovado que Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após a imposição da restrição judicial, será necessário esclarecer quando ocorreu o deslocamento e se houve descumprimento da decisão do STF.

Uma eventual violação das medidas cautelares poderá ser comunicada ao Supremo para avaliação de providências adicionais.

Entretanto, qualquer consequência dependerá da confirmação dos fatos, das circunstâncias da viagem e da análise judicial.

Por enquanto, a possível saída do senador permanece sob investigação, sem confirmação oficial de fuga ou descumprimento da ordem.

Da IstoÉ