Presidente do Irã discursa na ONU e acusa EUA de terrorismo

Presidente do Irã denuncia Washington por "terrorismo" em discurso na Assembleia Geral e provoca abandono do plenário por delegação americana

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O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, acusou os Estados Unidos de “terrorismo” e exibiu fotos de crianças mortas em um ataque americano durante seu discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, nesta segunda-feira (23). A contundente declaração de Pezeshkian ocorreu um dia após o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado “aniquilar” a República Islâmica, intensificando a já tensa relação entre os dois países.

Pezeshkian ocupou a tribuna da ONU exatamente um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter ameaçado “aniquilar” a República Islâmica caso não se chegue a um acordo para colocar um fim definitivo ao conflito no Oriente Médio. Em sua fala, o líder iraniano enfatizou o histórico de seu país.

“O Irã jamais foi agressor, nunca iniciou uma guerra e sempre demonstrou seu compromisso com a mesa de negociações”, afirmou Pezeshkian. “Impuseram-nos a guerra, mas provamos que não temos medo de lutar.”

Aumenta a resistência iraniana diante das sanções?

Segundo o mandatário, Donald Trump precisa saber que “a resistência do povo do Irã apenas aumentará diante das sanções e das crescentes pressão e intimidação”. Ele complementou a advertência, declarando que o país “jamais abaixará a cabeça nem se curvará”.

Além disso, Pezeshkian reiterou que o país persa é vítima de “terrorismo” por parte dos EUA. Ele mencionou o assassinato do guia supremo Ali Khamenei e o bombardeio contra uma escola infantil em Minab, um massacre que, segundo ele, custou as vidas de mais de 150 crianças.

O presidente iraniano reforçou sua acusação ao exibir imagens dos menores de idade mortos no ataque, gesto que provocou uma forte reação da delegação americana presente.

Tensão na ONU: delegação americana abandona plenário

Em protesto, a delegação dos Estados Unidos abandonou o plenário da ONU enquanto Pezeshkian discursava. A tensão é latente, com Trump tentando forçar Teerã a aceitar um acordo para encerrar a guerra e liberar completamente a navegação comercial no Estreito de Ormuz.

O bloqueio do estreito pelas forças iranianas provocou a disparada dos preços de energia globalmente, com repercussões inflacionárias em todo o mundo. O Estreito de Ormuz é uma rota marítima crucial para o transporte de petróleo.

“Não podemos permitir que alguns tenham livre acesso [ao Estreito de Ormuz] e se aproveitem disso”, declarou Pezeshkian. Ele criticou o uso da via para “nos atacar, para minar nossa segurança e para nos impedir de acessar nossas próprias vias navegáveis.”

Apesar da retórica firme, o presidente garantiu que o Irã está “pronto para o diálogo, a diplomacia e as negociações”, porém “sem aceitar a linguagem da força”. Pezeshkian encerrou o tema afirmando: “Estendemos nossa mão ao mundo.”

Irã defende direito nuclear e critica Israel

O mandatário iraniano também reivindicou o direito do Irã de desenvolver energia nuclear para fins pacíficos. Ele acusou Israel de possuir bombas atômicas, levantando um questionamento sobre a fiscalização internacional.

“As armas nucleares estão nas mãos de Israel, mas os inspetores pedem para ir ao Irã”, destacou Pezeshkian. “Israel mata, mas o Irã é alvo de sanções. Não pedimos tratamento especial, mas sim paritário.”