As cotações do petróleo fecharam perto do equilíbrio nesta sexta-feira (20), mantendo-se em níveis de negociação não vistos desde agosto do ano passado, na medida em que o mercado analisa os riscos de uma intervenção militar dos Estados Unidos no Irã.
O barril de tipo Brent, negociado em Londres para entrega em abril, subiu 0,14%, para 71,76 dólares. Seu equivalente nos Estados Unidos, o barril de tipo West Texas Intermediate (WTI) caiu 0,06% no último dia de cotação dos contratos com vencimento em março, para 66,39 dólares.
“O mercado já não acredita realmente que um ataque dos Estados Unidos ao Irã possa ser evitado”, disse Arne Lohmann Rasmussen, analista da Global Risk Management.
O presidente americano, Donald Trump, afirmou que esperaria de “dez” a “15 dias” para decidir se um acordo com Teerã é possível ou se terá que recorrer à força.
Depois dessas declarações, “os operadores não demoraram a reavaliar o aumento do prêmio de risco geopolítico” e os preços “alcançaram seu nível mais alto em seis meses”, observou Adam Turnquist, da LPL Financial.
“Uma escalada com o Irã pode provocar perturbações no fornecimento no curto prazo”, disse Turnquist, “particularmente se o Estreito de Ormuz for afetado”, por onde transita 20% do comércio global de petróleo.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse nesta sexta-feira que quer um acordo “rápido” com os Estados Unidos.
Ele espera apresentar uma “proposta de acordo potencial” a seus pares americanos, o enviado especial Steve Witkoff e o genro de Trump, Jared Kushner, em um prazo de “dois a três dias”.
Além das tensões geopolíticas, “o problema do excesso de oferta permanece sobre a mesa”, indicou Turnquist.
A Agência Internacional de Energia revisou recentemente para baixo sua projeção do crescimento da demanda mundial de petróleo em 2026.
A organização prevê um crescimento de 850 mil barris por dia (bpd) em 2026, em comparação com a projeção de 930 mil bpd do mês passado.
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