Petistas minimizam queda da Acadêmicos de Niterói: ‘Muita fumaça para pouco fumo’

Aliados de Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que direita politiza rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, mas admitem possível desgaste no Tribunal Superior Eleitoral

Homenagem a Lula em desfile da Acadêmicos de Niterói Marquês de Sapucaí
Homenagem a Lula em desfile da Acadêmicos de Niterói Marquês de Sapucaí Foto: Pablo Porciuncula/AFP

Aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) minimizaram o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou o petista no Sambódromo da Marquês de Sapucaí. De acordo com fontes ouvidas pela IstoÉ, a oposição está politizando o episódio além do esperado e criando “muita fumaça para pouco fumo”, apesar de aliados admitirem possíveis desgastes no Tribunal Superior Eleitora (TSE).

A Acadêmicos de Niterói obteve 264.6 pontos, conseguindo apenas uma nota 10 de um dos jurados no quesito samba-enredo. A agremiação foi rebaixada antes mesmo de o último quesito ser anunciado. O desfile foi marcado por críticas e suspeitas sobre o financiamento público da homenagem a Lula, além da repercussão após a escola representar os conservadores em uma lata de conserva.

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Petistas elogiaram o desfile e afirmaram que a atitude da Acadêmicos de Niterói foi corajosa. Eles reforçam que o rebaixamento para a Série Ouro já era esperado pela diferença de investimentos e pelo tamanho da agremiação em relação às outras concorrentes. “Se ela fizesse uma homenagem ao Papa, ela teria sido rebaixada do mesmo jeito”, disse um líder petista, sob reserva.

Presidente da república, Luiz Inácio “Lula” da Silva no camarote com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes

Eles ainda avaliam que Lula não poderia recusar a homenagem e que houve cautela com a participação de ministros e aliados do presidente da República. Tanto que a primeira-dama Janja da Silva cancelou sua participação em uma das alegorias de última hora. Sobre a polêmica fantasia que retratava os conservadores em uma lata de conserva, aliados do petista acreditam que o impacto sobre o eleitorado religioso não será tão relevante, considerando a limitada margem de manobra de Lula com esse público.

Apesar da tentativa de demonstrar tranquilidade, o Palácio do Planalto e aliados admitem que o timing do desfile não foi o ideal. Alguns avaliam que o enredo poderia ter sido adiado para o próximo ano, sem prejuízos à imagem do governo em ano eleitoral.

Correligionários já admitem possíveis desgastes no Tribunal Superior Eleitoral. Lula deve ser alvo de processos movidos pelo partido Novo e pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu adversário na disputa presidencial. A avaliação é que, em caso de punição, a campanha petista poderá sofrer pena pecuniária, sem prejuízo à candidatura à reeleição.