Apesar de crescente, a discussão acerca da importância da educação sexual e da conscientização sobre métodos contraceptivos está longe de acabar. De acordo com a Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP), a média mundial de gestações não planejadas é de 40%, mas a média nacional, no entanto, é bem maior.

+ Entenda por que suas camisinhas podem estar se rompendo

+ Pílula do dia seguinte: 3 fatores que comprometem a eficácia do medicamento

62% das internautas brasileiras já tiveram pelo menos uma gravidez não planejada. É o que mostram os resultados de uma pesquisa realizada em agosto e setembro de 2021 pela Bayer, em parceria com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e conduzida pelo IPEC (Inteligência em Pesquisa e Consultoria). Os dados apontam, ainda, que 48% delas engravidaram entre 19 e 25 anos. 

A pesquisa

Segundo o release oficial, “o estudo tinha como objetivo entender o cenário atual do Brasil em relação à gravidez não planejada, bem como o conhecimento e acesso das mulheres a métodos contraceptivos”. Ao todo, mil mulheres que já tinham engravidado foram ouvidas, sendo elas das classes A, B e C de todas as regiões do país. 

Os resultados mostraram que os principais motivos apontados para uma gravidez não planejada foram a falta de uso de métodos contraceptivos (34%), falha do método (27%) e uso do método de forma errada (20%). 65% das mulheres que engravidaram inesperadamente acreditam que, se tivessem mais conhecimento sobre contraceptivos na época da concepção, poderiam ter evitado a gravidez.

Assine nossa newsletter:

Inscreva-se nas nossas newsletters e receba as principais notícias do dia em seu e-mail

As estatísticas ainda apontam que, enquanto 53% das entrevistadas aprenderam sobre contracepção com um ginecologista, somente metade disso — ou 27% — adquiriram esses conhecimentos na escola. 

Falta de conhecimento

As estatísticas são mensuradas com dados atuais, mas o problema é antigo — e estrutural. Quando engravidou pela primeira vez, aos 15 anos, Maria Madalena de Oliveira, atualmente com 55 anos, não tinha conhecimento algum sobre métodos anticoncepcionais ou sistema reprodutor feminino. “Minha mãe nunca me explicou sobre menstruação”, conta. Ela comenta ainda que assuntos do gênero não eram comumente ensinados por pais e responsáveis, e muito menos pela escola. 40 anos depois, a situação se repete. 

Kevanny Caldas, de 26 anos, também enfrentou a falta de instrução sobre o assunto em sua juventude. A assistente de eventos se recorda de ter tido uma única aula de educação sexual quando estava na sexta série, a qual descreve como “nada muito explicativo”. Ela conta ainda que sua família encarava o sexo como um tabu. Todos esses fatores a levaram a engravidar, inesperadamente, aos 18 anos — e sua irmã, aos 15. “A gente descobria as coisas por si só”, pontua.

Kevanny conta que, no momento da concepção, não fazia uso de nenhum método contraceptivo. “Eu tinha vergonha de tocar no assunto com a minha mãe”, explica. Sem orientação escolar ou familiar, ela confessa que seguia dicas de outras pessoas da sua idade: “Na época, minhas colegas eram adeptas à pílula do dia seguinte”. 

Métodos contraceptivos

A escolha de um método contraceptivo que se adeque à rotina de cada mulher é ideal para a prevenção de uma eventual gravidez não planejada. 

“[A escolha] Deve ser sempre realizada em consultório com a devida orientação da ginecologista, pois, além de ser avaliado o método mais adequado de acordo com a saúde da mulher e seus planos familiares, as devidas orientações de como funciona, adaptações ao método e possíveis mudanças podem ser feitas de forma mais assertiva, promovendo um maior conhecimento e confiança entre as mulheres”, orienta a ginecologista Maria Celeste Osório Wender, professora titular do Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e diretora de Defesa e Valorização Profissional da Febrasgo.

Ainda segundo o estudo, 93% das entrevistadas reconhecem a necessidade de ampliar o acesso à informação sobre métodos contraceptivos de longa ação — como DIUs e implantes hormonais, que vêm contribuindo de forma positiva para o planejamento familiar de muitas mulheres. 

A ginecologista, obstetra e gerente médica de Saúde Feminina na Bayer Brasil Thais Ushikusa também advoga em favor dos métodos de longa ação como forma de prevenção à gravidez inesperada: “Qualquer mulher pode utilizá-los, tanto as mais velhas como as mais jovens. O principal fator decisivo vai ser justamente o plano familiar das mulheres: se elas não querem ter filhos nos próximos anos, os contraceptivos de longa ação são uma excelente opção”, pontua. E completa: “Hoje em dia, eles já são amplamente cobertos pelos planos de saúde e disponíveis no SUS, com algumas exceções”. No entanto, é importante relembrar que alguns métodos de contracepção não previnem infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), por isso, o uso da camisinha deve ser considerado.

Educação sexual nas escolas

Em entrevista ao portal “Nova Escola”, a pesquisadora Mary Neide Figueiró revela acreditar que menos de 20% das escolas públicas do país têm projetos de educação sexual voltados para crianças e adolescentes no Ensino Fundamental. Em contrapartida, ainda segundo o portal, uma pesquisa interna do MEC revelou que a maioria da população concorda que questões de gênero e sexualidade devem fazer parte da grade curricular das escolas.

Além de ajudar a prevenir uma gravidez inesperada ou ISTs, a educação sexual ainda pode ser uma forma de instruir crianças e adolescentes a identificarem e se protegerem de situações de abuso sexual — que muitas vezes ocorrem no próprio ambiente familiar.

Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência: como a internet pode ajudar

Segundo a Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), no ano de 2019 foram registrados cerca de 420 mil partos de mães entre 10 e 19 anos — 14,7% do total de nascimentos do ano. Quase meio milhão de crianças e adolescentes enfrentando o desafio de gerar um bebê — além dos abortos, cuja faixa etária representou cerca de 12,9% das internações no SUS. 


Pensando em estatísticas preocupantes como essas, foi criada, em 2019, a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência (Lei 13.798/2019). A data foi incorporada ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e vigora entre os dias 01 e 08 de fevereiro.

Em parceria com a Bayer, a SPSP lançou, no YouTube, a série “A Adolescência”. Trata-se de um minicurso preparado para orientar pais, responsáveis e educadores de adolescentes sobre os principais temas relacionados à adolescência, inclusive saúde reprodutiva e sexual. Confira:


Siga a IstoÉ no Google News e receba alertas sobre as principais notícias