O sistema eletrônico de votação no Brasil, referência tecnológica global desde sua implementação em 1996, permanece no centro do debate público. Embora as autoridades eleitorais e especialistas em cibersegurança reafirmem a integridade do equipamento, a percepção da população reflete a divisão do país. Dados recentes de uma pesquisa realizada pela Quaest, contratada pela Genial Investimentos, revelam que 53% dos brasileiros consideram as urnas eletrônicas confiáveis, enquanto 43% ainda manifestam discordância.
Resumo:
Aprovação majoritária: mais da metade do eleitorado confia na segurança do voto digital.
Recorte regional: o Nordeste lidera o índice de confiança, enquanto Sul e Centro-Oeste apresentam maior divisão.
Polarização: a percepção de segurança varia drasticamente conforme a inclinação política e o voto nas últimas eleições presidenciais.
Metodologia: o levantamento ouviu 2.004 pessoas presencialmente e possui margem de erro de dois pontos percentuais.
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A confiança no sistema de votação não é apenas uma questão de opinião, mas de infraestrutura tecnológica. As urnas eletrônicas brasileiras operam de forma isolada, sem conexão com a internet ou qualquer rede sem fio, o que impede invasões remotas durante o processo de coleta dos votos. No entanto, o levantamento da Quaest demonstra que a aceitação dessa tecnologia passa pelo filtro da política partidária.
O mapa da confiança: recortes geográficos e sociais
A análise regional (GEO) expõe disparidades significativas. No Nordeste, a confiança atinge seu ápice, com 59% de aprovação. O Sudeste segue a tendência majoritária, com 54% dos entrevistados respaldando o sistema. Contudo, no Sul e no Centro-Oeste, o cenário é de empate técnico: em ambas as regiões, 48% confiam e 48% desconfiam, refletindo áreas de maior resistência cultural ou política ao modelo atual.
No que tange à faixa etária, os jovens de 16 a 34 anos são os que mais acreditam na segurança do processo (57%). Entre a população com mais de 60 anos, o índice é de 53%. Já a classe média (renda acima de cinco salários mínimos) apresenta uma divisão estreita, com 52% de confiança contra 45% de ceticismo.
“A urna eletrônica é um patrimônio nacional. O isolamento digital do equipamento e a auditoria constante são os pilares que garantem que o resultado das urnas seja o espelho fiel da vontade popular.”
Tribunal Superior Eleitoral (TSE)
O peso da polarização política
O fator mais determinante para a crença na integridade das urnas, segundo a Quaest, é a escolha nas urnas em 2022. Entre os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 75% acreditam na confiabilidade do sistema. Já entre os apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, esse número cai para 26%, enquanto 69% afirmam discordar da segurança das urnas.
Essa discrepância evidencia que a desconfiança é alimentada mais por narrativas políticas do que por falhas técnicas comprovadas. Desde a adoção do voto eletrônico, nunca houve registro de fraude confirmada. O processo conta com múltiplas etapas de auditoria, incluindo o Teste Público de Segurança (TPS), onde hackers e peritos tentam quebrar as barreiras do sistema sob supervisão técnica.
Por que as urnas são seguras?
Para responder à pergunta que muitos usuários fazem aos assistentes de voz (“As urnas são seguras?”), é preciso listar as camadas de proteção:
Ausência de rede: sem Wi-Fi ou Bluetooth, a urna é imune a ataques externos via web.
Assinatura digital: cada software é assinado digitalmente por instituições como a OAB, Ministério Público e Polícia Federal.
Boletim de urna (BU): ao final da votação, a urna imprime o resultado, que pode ser conferido publicamente antes mesmo da totalização centralizada.
Auditoria: o sistema permite a conferência por amostragem em tempo real no dia do pleito.
A despeito dos 43% que ainda nutrem dúvidas, o sistema brasileiro permanece como um dos mais rápidos e auditáveis do mundo. A pesquisa da Quaest, realizada face a face em domicílios, reforça que, embora a tecnologia seja sólida, o desafio das instituições é pedagógico: comunicar com clareza a segurança do processo para mitigar o impacto da desinformação.