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Pesquisa inédita mapeia compulsão alimentar na cidade do Rio


Uma pesquisa amostral em andamento na cidade do Rio de Janeiro levanta a prevalência do transtorno de compulsão alimentar e de outras alterações de comportamento alimentar presentes na população. A iniciativa é das universidades Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). A coleta de dados se dá através de visitas domiciliares, em 33 bairros. Serão entrevistadas 2,5 mil pessoas com idades entre 18 e 60 anos.

“Mais recentemente tem se notado que o comportamento alimentar sofre influências de muitas variáveis. Há, por exemplo, variáveis emocionais, que acabam interferindo no controle do peso corporal e também na saúde mental dos indivíduos. E temos poucos dados de base populacional aqui no Brasil. Vamos avaliar não só a compulsão alimentar, mas outros problemas também como descontroles episódicos e sintomas de depressão e ansiedade, além de doenças clínicas como pressão alta, diabetes”, explicou José Carlos Appolinario, pesquisador do Instituto de Psiquiatra da UFRJ.

O transtorno de compulsão alimentar ocorre quando a pessoa come exageradamente de forma descontrolada mesmo sem fome, comportamento que pode ser seguido ou não de sentimento de culpa. Em alguns casos, observa-se o hábito de combinações inusitadas, por exemplo, de feijão com queijo. Estudos apontam que aspectos psicológicos, como insatisfação com o próprio corpo, baixa autoestima e estresse crônico, são fatores que podem desencadear esse quadro.

Segundo Appolinario, o levantamento em andamento no Rio de Janeiro é inédito na cidade. As visitas domiciliares começaram em setembro e devem ir até janeiro de 2020. A expectativa é de que os primeiros resultados sejam obtidos em abril do próximo ano. O pesquisador reitera que a pesquisa não é focada na obesidade, pois aborda o comportamento alimentar de forma mais abrangente. O objetivo é observar o real impacto dessas alterações alimentares na vida dos indivíduos e as condições associadas a elas.

“Há pessoas, por exemplo, que não têm problema de peso, mas têm problemas psicológicos decorrentes da forma inadequada como elas se alimentam. Por isso, vamos correlacionar os dados. Quais os fatores estão relacionados com um comportamento alimentar inadequado? De que forma se reflete na saúde mental e física?”.


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O pesquisador lembra que encaminhamentos para os hospitais se dão geralmente na ocorrência de situações mais graves, como por exemplo, em quadros de bulimia (transtorno alimentar caracterizado por períodos de fadiga seguidos por comportamentos saudáveis para perda de peso rápido). “Por isso que é importante avaliar essas questões na população, para observar problemas mais leves ou mais discretos, mas que podem evoluir com o tempo”.

* Colaborou Tâmara Freire, repórter da Rádio Nacional do Rio de Janeiro

 

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