Quando o pescador Brian Tapper verificou suas 1.200 armadilhas para caranguejos nas águas do sudoeste da Inglaterra, não encontrou o que esperava devido a uma invasão de polvos, pela qual o aquecimento do oceano parece ser responsável.
Em março e abril, as armadilhas estavam quase completamente vazias. A partir de maio, encheram-se de polvos e, em julho, estavam quase vazias novamente.
O fenômeno está sendo observado ao longo da costa de Devon e do sul da Cornualha, no Reino Unido, onde a proliferação sem precedentes de polvos em águas britânicas está afetando a indústria pesqueira.
Os moluscos de oito braços são vorazes e devoram crustáceos como caranguejos e mariscos.
A esposa de Brian Tapper já fechou sua fábrica de processamento de caranguejos no cais devido à queda nas capturas. E ele duvida que consiga manter seu negócio funcionando.
“É como um verdadeiro furacão para nós”, disse Brian Tapper à AFP no porto de Plymouth, onde seus três barcos de pesca de caranguejo estão encalhados.
O pescador, de 53 anos, estima que a captura de caranguejos tenha caído pela metade. E teme que continue a diminuir.
O aquecimento do mar na região, no último ano e meio, pode ser responsável por essa proliferação de polvos, que preferem águas quentes.
Especialistas em clima apontam que atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis que libera carbono, desempenham um papel fundamental no aumento da temperatura dos oceanos.
“Pesco aqui há 39 anos e nunca vi tantos polvos”, lamenta Tapper. “Nunca vi uma mudança tão instantânea como esta. É muito rápido. Uma praga”, acrescenta.
A proliferação de polvos também é notada em restaurantes, que se adaptaram oferecendo esses moluscos aos clientes na ausência de outros crustáceos.
Autoridades locais e nacionais encomendaram um estudo sobre a situação. Um primeiro relatório deve ser publicado em outubro.
Segundo Bryce Stewart, pesquisador da Universidade de Plymouth que lidera este estudo, as proliferações anteriores de polvos no Reino Unido, em 1899 e nas décadas de 1930 e 1950, foram precedidas pelo aquecimento do mar.
Em sua opinião, os polvos se reproduzem em águas locais e sobrevivem lá durante o inverno.
Os polvos de braços longos do Atlântico, tanto machos quanto fêmeas, que normalmente vivem cerca de 18 meses, geralmente morrem logo após a reprodução, o que pode explicar seu desaparecimento repentino.
Stewart é frequentemente questionado se os polvos permanecerão nas águas do sudoeste da Inglaterra. O pesquisador responde: “provavelmente”.
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