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Peru exige ressarcimento de danos à Repsol por derramamento de petróleo

Peru exige ressarcimento de danos à Repsol por derramamento de petróleo

Mancha de petróleo em praia da província de Callao, no Perú, em 17 de janeiro de 2022, após o vazamento acidental de 6.000 barris - AFP

O Ministério das Relações Exteriores do Peru exigiu nesta quarta-feira (19) à petrolífera espanhola Repsol que responda pelo vazamento de cerca de 6.000 barris de óleo no litoral central do país, atribuído pela empresa ao tsunami causado pela erupção vulcânica em Tonga.

“O derramamento de petróleo da Repsol em Ventanilla é o pior desastre ecológico ocorrido em Lima nos últimos tempos, e causou grave prejuízo para centenas de famílias de pescadores. A Repsol deve ressarcir este dano de maneira imediata”, afirmou o ministério peruano através do Twitter.


As autoridades peruanas encontraram, cobertas de petróleo, diversas espécies marinhas mortas e outras com vida, que foram resgatadas. “Esta terrível situação colocou em perigo a flora e a fauna em duas áreas naturais protegidas”, acrescentou o MRE do país sul-americano.

O vazamento ocorreu no sábado, na refinaria La Pampilla, situada em Ventanilla, um distrito da província de Callao, na região da capital peruana.

Segundo a Repsol, o acidente ocorreu durante o processo de descarregamento do navio-tanque “Mare Dorium”, de bandeira italiana, supostamente devido à violência das ondas.

A refinaria reiterou hoje em nota que está “executando os trabalhos de remediação do litoral e de limpeza de praias após a situação gerada pelo aumento da maré registrado devido à erupção vulcânica em Tonga”.

Na terça-feira, o ministro de Meio Ambiente peruano disse que o derramamento foi de aproximadamente 6.000 barris de petróleo e que a mancha se espalhou por uma área de pelo menos 18.000 metros quadrados.

A empresa, por sua vez, havia informado em princípio que o vazamento tinha sido “limitado” e que o volume de hidrocarbonetos derramados seria de apenas sete galões de óleo, enquanto um barril contém 42 galões.

O Ministério Público do Peru abriu uma investigação pelo suposto delito de poluição ambiental contra os representantes legais e funcionários da refinaria e advertiu que as multas poderiam chegar a 34,5 milhões de dólares.

Por sua vez, a agência reguladora de energia ordenou a suspensão das operações no terminal marítimo onde ocorreu o vazamento.

La Pampilla tem capacidade de processamento de 117.000 barris diários, mais da metade do volume total refinado no Peru.

A Repsol participa de quatro blocos de exploração e produção de gás natural e líquidos associados no Peru, com uma extração de 46.000 barris equivalentes de petróleo por dia, que representam 12% da produção do país e 7% da extração da Repsol, segundo dados da empresa espanhola.