São Paulo, 1/6 – A queda de 0,3% do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária no primeiro trimestre de 2016 ficou relativamente dentro do esperado para o período, por causa da quebra de safra em algumas regiões produtoras, na avaliação da sócia da consultoria Tendências, Amaryllis Romano. A perspectiva de recuperação e de um PIB da agropecuária positivo neste ano, no entanto, “está se complicando”, declarou. “Há muita preocupação com o milho safrinha. E, em tese, no segundo e terceiro trimestres a cana e o café teriam resultados melhores, mas não dá para assegurar porque não temos ainda os dados efetivos de produção”, disse Amaryllis ao Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Nesta quarta-feira, 1º de junho, pela manhã, o IBGE divulgou também que o PIB da agropecuária no período recuou 3,7% ante igual intervalo de 2015. O temor quanto ao desempenho da segunda safra de milho se deve ao fato de diversas regiões produtoras do grão, que estão realizando a colheita agora, terem sido prejudicadas pela recente falta de chuvas. “Não houve grande uso de tecnologia no plantio dos grãos e há o problema do clima, que está muito complicado. Tudo isso atrapalhou o plantio”, disse ela. O resultado dos próximos trimestres, na visão de Amaryllis, dependerá principalmente do desempenho das lavouras de cana-de-açúcar, café, milho e trigo. O resultado da atividade pecuária tem sido um pouco melhor que o dos grãos e o setor ainda tem condições de alcançar bons resultados nos próximos trimestres. Quanto aos setores sucroalcooleiro e cafeeiro, até o momento as previsões são positivas. “Em tese, o que esperamos para a cana e o café poderia trazer resultado positivo. Mas é preciso confirmar”, observou. Outro fator que pode contribuir para a perspectiva de um PIB positivo ao longo do ano é a boa remuneração obtida, até o momento, por produtores de soja, milho e trigo, assim como pecuaristas, segundo a sócia da Tendências.