A líder derrubada Aung San Suu Kyi pediu ao povo birmanês que se mantenha “unido” perante o governo militar – disseram seus advogados nesta terça-feira (29), quando ela reapareceu em um tribunal da junta.
“Ele pediu às pessoas que se mantenham unidas de maneira consistente”, afirmou seu advogado, Min Min Soe, em conversa com a imprensa.
A ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 1991 e filha do herói da independência birmanesa, general Aung San, encontra-se sob prisão domiciliar desde o golpe de Estado de fevereiro que gerou enormes protestos pró-democracia. A junta tenta esmagar essas manifestações com força brutal.
Suu Kyi, de 76, foi indiciada por um amplo leque de acusações e corre o risco de receber sentenças de até 10 anos.
Nesta terça, na audiência, foram ouvidos depoimentos sobre as denúncias de violação das restrições ao coronavírus durante as eleições no ano passado, da qual saiu vencedora.
Também foram ouvidas declarações no caso de sedição.
Desde que ela foi deposta, Mianmar está mergulhada em uma grande crise, com grandes manifestações, assim como novos confrontos entre as milícias étnicas rebeldes e os militares nas regiões fronteiriças. A economia está em queda livre.
O líder da junta militar, Min Aung Hlaing, justificou o golpe e sua tomada do poder, alegando que houve fraude eleitoral nas eleições de novembro passado.
O Exército vem reprimindo brutalmente a dissidência. Mais de 880 civis foram mortos pelas forças militares, de acordo com um grupo de monitoramento local.