PERFIL / O fim de Maduro: de motorista de ônibus a três mandatos presidenciais

CARACAS, 3 JAN (ANSA) – Por Patrizia Antonini – De motorista de ônibus a três mandatos presidenciais: Nicolás Maduro, “pai patrão” da Venezuela, à frente de uma cruel repressão e capturado pelo Pentágono junto com sua esposa, Cília Flores, durante um ataque aéreo a Caracas, foi o chefe do Executivo venezuelano mais longevo da história política do país.   

Também conhecido por seus cargos de deputado, ministro das Relações Exteriores e vice-presidente durante os governos de Hugo Chávez ? que o designou como seu sucessor em 2012 ?, o líder mergulhou o país sul-americano em uma crise econômica recorde, com o PIB despencando 80% em 10 anos, inflação superior a 500% e uma onda migratória sem precedentes.   

O chefe de Estado iniciou sua carreira política ainda criança, incentivado por seu pai, Nicolás Maduro García, economista e fundador de partidos socialistas.   

Nascido no bairro de Los Chaguaramos, em Caracas, em 1962, filho de pais colombianos, Maduro era um torcedor fanático do time de beisebol Leones del Caracas. Com apenas cinco anos de idade, já participava de comícios e campanhas eleitorais. Sua mãe, ao vê-lo usar as vestes de coroinha, desejava que ele se tornasse padre.   

No Liceu José Avalos, o líder se interessou pela Teologia da Libertação, uma corrente progressista dentro da Igreja Católica, e em 1980, aos 18 anos, ingressou na Liga Socialista Marxista-Leninista.   

Entre os fundadores do movimento estava Jorge Antonio Rodríguez, pai da atual vice-presidente Delcy e do líder da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez. Com esse grupo, o presidente recebeu uma bolsa de estudos para estudar em Cuba.   

Embora sua trajetória como sindicalista e motorista de ônibus não indicasse sua ascensão, foi a campanha pela libertação de Hugo Chávez, após a tentativa de golpe de Estado em 1992, que marcou uma virada para Maduro.   

Foi nesse contexto que o bolivariano conheceu a advogada Cília Flores, que se tornou sua companheira e aliada política, união selada pelo casamento em 2013, quando ele ascendeu à liderança do país e Cília ganhou o título de “primeira combatente”.   

Mas o governo Maduro, que durante a última campanha eleitoral em 2023 ganhou o apelido de “Gallo Pinto”, uma raça de briga, foi marcado, desde o início, por momentos de grande violência, com a sangrenta repressão aos movimentos estudantis.   

Em 2018, ele conquistou um segundo mandato em uma votação considerada ilegítima por grande parte da comunidade internacional, e repetiu o feito em 2023, com a inelegibilidade de sua oponente, María Corina Machado, líder do principal partido de oposição do país, o PUD, e recente ganhadora do Prêmio Nobel da Paz.   

Segundo fontes venezuelanas exiladas, Maduro e sua esposa foram removidos em uma “saída negociada” com a Casa Branca.   

A campanha de pressão de Washington começou nos últimos meses, quando o presidente Donald Trump ? que anunciou hoje a captura deles ? deslocou o maior porta-aviões do mundo, o Gerald Ford, para o Mar do Caribe e ofereceu uma recompensa de US$ 50 milhões pelo líder chavista, considerado o chefão do Cartel de los Soles.   

Com eles, Nicolás e Cília deixam para trás mais de mil presos políticos, muitos dos quais estão detidos há meses sem acusações formais. Entre eles está o trabalhador humanitário italiano Alberto Trentini. (ANSA).