PERFIL / Delcy Rodríguez, a ‘tigresa’ especialista em ouro negro

ROMA, 5 JAN (ANSA) – Por Marcello Campo – Todos os olhares estavam voltados para Delcy Rodríguez, não para María Corina Machado: nas horas dramáticas que se seguiram à queda do regime de Caracas, ela, “a tigresa do chavismo”, como Nicolás Maduro a chamava, foi uma das protagonistas da difícil transição venezuelana, cada vez mais repleta de riscos e incertezas.   

Nos momentos após a operação policial, os Estados Unidos voltaram imediatamente sua atenção para ela, uma figura proeminente da República Bolivariana da Venezuela e grande especialista no mercado de petróleo, em vez de para a líder da oposição e ganhadora do Prêmio Nobel da Paz, Corina Machado, querida pela União Europeia, mas abandonada ao vivo na TV por Donald Trump.   

Na manhã do último sábado (3), Delcy foi a primeira autoridade do regime a se manifestar publicamente após a operação militar do governo norte-americano, condenando-a e exigindo que os Estados Unidos comprovassem que Maduro ainda estava vivo após sua captura.   

No dia seguinte, ela se tornou a figura mais forte de Caracas, tendo sido nomeada presidente interina pelo Supremo Tribunal Federal, devido à “ausência forçada” de Maduro, como declararam os juízes. Essa posição foi fortalecida pelo apoio explícito das Forças Armadas, conforme anunciado por Vladimir Padrino López, chefe do Exército e ministro da Defesa da Venezuela.   

Seu currículo é o de uma leal ao regime, primeiro sob Hugo Chávez e depois sob Maduro: ela atuou como ministra das Comunicações e Informação, depois como chefe dos Serviços Secretos (Sebin), em seguida como ministra das Relações Exteriores – a primeira mulher a ocupar esse cargo na Venezuela – e como ministra do Comércio e Economia.   

Atualmente, como mencionado, ela é a influente ministra dos Hidrocarbonetos. Em 2018, foi nomeada vice-presidente da República Bolivariana da Venezuela, cargo que ocupou até a invasão dos EUA.   

O presidente norte-americano expressou imediatamente seu respeito por ela. O magnata, enquanto Maduro ainda estava a caminho de Nova York após sua captura, chegou a anunciar que o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, já havia conversado com Rodríguez depois da operação. Ele também afirmou que ela estava disposta a cooperar.   

O jornal “The New York Times” confirmou ainda que o governo norte-americano ficou impressionado com a forma como essa advogada, nascida em 1969 e irmã de Jorge Rodríguez, atual presidente da Assembleia Nacional, tem administrado a indústria petrolífera nos últimos anos, uma questão crucial para os Estados Unidos. No entanto, eles cederam quando Rubio se recusou a reconhecer sua “legitimidade” como presidente.   

É difícil dizer, no entanto, se ela, ex-braço direito de Maduro, será a figura forte em quem os Estados Unidos apostarão para o futuro da Venezuela, a protagonista de uma nova era, uma espécie de “madurismo sem Maduro”.   

Certamente, para além das declarações superficiais, ela permanece no centro do cenário político neste momento, em um clima político ainda confuso e caótico. “Se ela fizer o que dizemos, não haverá novos ataques e não enviaremos tropas”, assegurou Trump.   

Mas somente as próximas horas dirão se, apesar das declarações, a parceria entre os dois se manterá ou se a situação militar se deteriorará, resultando em novos ataques, com consequências nefastas para o equilíbrio de poder em toda a América Latina.   

(ANSA).