Pendências para 2021

No próximo ano viveremos uma ressaca de 2020, ainda que o país tenha enfrentado relativamente bem os impactos econômicos causados pela pandemia de Covid-19. Basta lembrar que a previsão de queda do PIB para este ano chegou a atingir dois dígitos e hoje está entre 4% e 4,5%. O Brasil foi o quarto país, entre as principais economias do mundo, que mais aumentou o gasto público para lidar com a pandemia, atrás somente de Japão, Canadá e Estados Unidos, e à frente de mercados como a Alemanha, os dados são da gestora SPX Capital. De acordo com o ministério da Economia, apenas o auxílio emergencial foi abastecido com R$ 321 bilhões, mais da metade do gasto extraordinário despendido em decorrência da Covid-19. A economia de quase R$ 1 trilhão prevista para dez anos com a Reforma da Previdência foi praticamente consumida com as ações voltadas para reduzir os efeitos econômicos e sociais causados pela disseminação do novo coronavírus. Temos um imenso passivo a ser resolvido. O nosso déficit primário em 2021 está ao redor de R$ 230 bilhões. Ou seja, a situação fiscal do país, que já era frágil e pior que a de outros emergentes, ficou ainda mais deteriorada. Para atacar o problema, é preciso rapidez.

O nosso déficit primário em 2021 está ao redor de R$ 230 bilhões. Ou seja, a situação fiscal do País, que já era frágil, ficou mais deteriorada

As eleições municipais e a disputa em torno das presidências da Câmara e do Senado foram alguns dos fatores que impediram a análise de reformas estruturais importantes, como a Tributária, a Administrativa e a PEC Emergencial. Agendas pessoais impediram o avanço dessa pauta. Não há, porém, como adiar mais. Temos de pagar a conta. Além do óbvio, que são as reformas, há uma série de outros desafios que naturalmente surgirão em 2021 e precisarão ser encaradas pelo governo. Serão pedidos de parcelamentos tributários (mais um Refis), problemas com inadimplência, passivos tributários e trabalhistas que tendem a sobrecarregar o Poder Judiciário, entre outros itens.

Neste ano, o rendimento das famílias cresceu 3% em relação a 2019. O aumento deveu-se às medidas de socorro financeiro implementadas pelo governo em meio à pandemia. Sem elas, o cenário teria sido outro. Retração de 6,1% na massa de rendimentos. No ano que vem, além de perder esse impulso, outros fatores pressionarão a renda das famílias. Um deles é o desemprego, que chegou ao patamar recorde de 14,6% no trimestre terminado em setembro, atingindo 14,1 milhões de pessoas. O número pode crescer. Outro fator é a inflação, que ficou em 0,89% em novembro, acumulando alta de 4,31% em 12 meses. Além de fazer o dever de casa, aprovando o que é fundamental, será necessário conter a tentação de aumentar despesas. Por mais que a intenção seja nobre.

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