Itália reduz pena de adolescente que matou ex-namorada de 13 anos e revolta família

Tribunal de Bolonha diminui sentença de jovem que matou menina de 13 anos; família da vítima protesta contra decisão judicial

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BOLONHA, ITÁLIA – O Tribunal de Apelação de Bolonha reduziu de 17 para 15 anos a pena de um adolescente condenado pelo assassinato de Aurora Tila, uma menina de 13 anos. O crime ocorreu em Piacenza, no norte da Itália, em 25 de outubro de 2023, quando a vítima foi atirada de uma varanda. A decisão gerou forte indignação na família da adolescente.

  • A pena de um adolescente foi reduzida de 17 para 15 anos pelo assassinato de Aurora Tila em Bolonha.
  • O jovem, que tinha 15 anos na época do crime, confessou ter empurrado a vítima de uma sacada durante o julgamento de recurso.
  • A família de Aurora Tila criticou duramente a redução da sentença, alegando que tal medida pode incentivar o aumento dos feminicídios na Itália.

O rapaz, cuja identidade não foi divulgada por ser menor de idade, tinha 15 anos quando cometeu o crime. Ele confessou o assassinato durante uma audiência de recurso, alterando a versão apresentada ao longo da investigação e do julgamento inicial.

Em julho deste ano, o jovem admitiu ter empurrado Aurora da sacada do edifício e pediu desculpas pelo crime e pela demora em assumir a responsabilidade. Após a confissão, o tribunal retomou o julgamento, culminando na nova decisão proferida nesta quinta-feira (10).

Família critica redução de pena

A nova decisão do Tribunal de Apelação de Bolonha, no entanto, provocou indignação e revolta na família da vítima.

Morena Corbellini, mãe de Aurora Tila, criticou duramente a redução da pena. Ela afirmou que decisões como essa contribuem para o aumento dos feminicídios no país, enviando uma mensagem de impunidade.

“Só vai piorar; as decisões são tomadas com muita leviandade. E depois esperamos que os feminicídios diminuam?”, questionou Morena Corbellini no Tribunal de Apelação de Bolonha. “Eles continuarão aumentando, e menores matarão cada vez mais, até que o país tome medidas firmes e adequadas.”

Segundo a mãe da vítima, “eles sabem que as penas não resultam em nada”. Ela apelou diretamente à primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, para que tome medidas eficazes para enfrentar o problema da violência contra mulheres e meninas.

“Certamente acontecerá de novo. Se, após apenas um mês de bom comportamento, ele já tinha um celular na prisão e usava o Instagram… Então, o que fazemos? Damos a ele um Oscar por ter matado uma menina?”, indagou Morena Corbellini, ressaltando a percepção de falta de seriedade na execução da pena.

Como a confissão impactou a sentença?

O Ministério Público de Bolonha havia pedido inicialmente que a pena fosse reduzida para 15 anos e seis meses, levando em consideração a confissão do réu. O tribunal, porém, estabeleceu a pena final em 15 anos exatos.

O jovem havia negado sistematicamente as acusações durante o processo. Na primeira audiência do julgamento de recurso, realizada em julho de 2024 por videoconferência e a portas fechadas, ele surpreendeu ao admitir que havia matado Aurora.

Para o advogado Emilio Malaspina, que representa a família da menina, a confissão não deveria ter sido considerada como motivo para uma redução tão significativa da pena. Para o defensor, tratou-se de uma estratégia calculada.

“Não interpretamos a confissão da mesma forma que o Ministério Público. Foi uma estratégia calculada”, afirmou o advogado.

Malaspina lembrou que o acusado inicialmente teria afirmado que Aurora havia escorregado e, posteriormente, sustentado que ela havia se jogado. O defensor também alegou que “as pessoas deveriam considerar as implicações de fazer uma confissão em julho de 2024”, apontando para a conveniência temporal da admissão.

“A verdadeira tragédia desta saga jurídica é que a decisão será definitiva. Isso significa que, neste país, uma confissão feita em qualquer fase pode levar à concessão de circunstâncias atenuantes gerais e à possibilidade de liberdade antecipada em alguns anos. Foi angustiante acompanhar esta audiência; sinto muito por Morena e por Aurora — estávamos aqui por ela”, concluiu o advogado, manifestando desapontamento com o desfecho.