Pelo menos 32 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após uma grua cair sobre um trem de passageiros na Tailândia, segundo o último balanço das autoridades locais.
A grua era utilizada em obras de um projeto ferroviário apoiado pela China e administrado por uma empresa tailandesa envolvida em vários acidentes similares.
Sua queda provocou o descarrilamento do trem que circulava entre Bangcoc e o nordeste do país.
O Ministério da Saúde da Tailândia informou 32 mortos, três desaparecidos e 64 pessoas hospitalizadas, incluindo sete em estado grave.
Por volta das 9h00 locais (23h00 da noite anterior em Brasília), Mitr Intrpanya, morador de Nakhon Ratchasima, ao nordeste de Bangcoc, ouviu “um grande estrondo seguido de duas explosões”.
“Quando fui ver o que havia acontecido, encontrei a grua sobre um trem de passageiros de três vagões. O metal da grua parecia ter partido o segundo vagão ao meio”, declarou o homem de 54 anos.
Imagens divulgadas pela imprensa local mostram socorristas correndo em direção ao trem tombado em meio à fumaça e escombros.
As operações de resgate foram interrompidas temporariamente devido a um “vazamento de produtos químicos”, informou a polícia local, sem mencionar sua origem.
A grua era utilizada para colocar em serviço o primeiro trem de alta velocidade da Tailândia.
O projeto, de mais de cinco bilhões de dólares (26,87 bilhões de reais), prevê conectar Bangcoc a Kunming, no sul da China, via Laos, até 2028.
É apoiado pela China no marco de sua política “Nova Rota da Seda”, destinada a melhorar seus intercâmbios comerciais e fortalecer sua influência.
Para evitar que essa ferrovia aumente sua dependência de Pequim e prejudique suas boas relações com os Estados Unidos, a Tailândia insistiu em assumir o custo total.
A China presta assistência técnica, mas “parece que o trecho em questão está sendo construído por uma empresa tailandesa”, comentou o Ministério das Relações Exteriores chinês.
Trata-se da empresa Italian-Thai Development, que anunciou em nota que assumirá “a responsabilidade de indenizar as famílias das vítimas e de cobrir as despesas médicas dos feridos”.
O primeiro-ministro tailandês, Anutin Charnvirakul, afirmou que os responsáveis “terão que prestar contas”.