YANGON, 24 MAI (ANSA) – A líder “de facto” de Myanmar, Aung San Suu Kyi, reapareceu em público nesta segunda-feira (24) ao comparecer a um audiência da Justiça. Essa é a primeira vez desde o dia 1º de fevereiro, data em que os militares deram um golpe de Estado, que a Nobel da Paz de 1991 é vista.
Suu Kyi pode se reunir pessoalmente com sua equipe de defesa por cerca de 30 minutos e, segundo seu advogado, Min Min Soe, disse estar bem de saúde, mas saber apenas parcialmente o que acontece no país porque não tem acesso a jornais.
Sobre a dissolução de seu partido, o Liga Nacional para a Democracia (NLD), anunciada na última semana pela junta militar, a líder civil afirmou que sua sigla existirá “enquanto o povo existir”.
“Ela desejou que o povo permaneça em boa saúde e afirmou que o NLD existirá enquanto o povo existir porque ele foi fundado pelas pessoas”, acrescentou Min.
Suu Kyi e o presidente de Myanmar, Win Myint, foram presos em 1º de fevereiro enquanto os militares davam o golpe impedindo que os eleitos em dezembro tomassem seus cargos no Parlamento. O NLD venceu as duas disputas eleitorais livres no país, em 2015 e 2020, e tinha obtido mais de 70% dos votos populares.
Alegando “fraude eleitoral”, que nunca foi comprovada, os militares tomaram o poder e, desde então, vem repreendendo com brutalidade os protestos pró-democracia – há mais de 600 mortes confirmadas.
A líder civil foi acusada de diversos crimes, que nada tem a ver com as eleições, entre eles, violação de regras comerciais por importar rádios de comunicação, de leis de desastres sanitários e de corrupção. (ANSA).