Justiça determina prisão do piloto Pedro Turra após novas provas de agressão

Com jovem de 16 anos em estado grave, Justiça reconsidera elementos do processo e autoriza prisão preventiva de piloto da Fórmula Delta

Pedro Turra

A Justiça do Distrito Federal determinou, na sexta-feira, 30, a prisão preventiva de Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, piloto da categoria Fórmula Delta. A informação foi confirmada pela Polícia Civil, que cumpriu o mandado com apoio do Ministério Público.

A detenção ocorreu na residência da mãe do investigado, no Park Way, e ele foi encaminhado à delegacia, onde permanece à disposição do Judiciário.

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Dias antes, em 24 de janeiro,  Pedro Turra havia sido preso após uma agressão contra um adolescente de 16 anos, em Vicente Pires. Na ocasião, ele obteve liberdade provisória após decisão judicial.

O novo pedido de prisão foi apresentado pelas autoridades após o avanço das investigações e a reunião de outros registros policiais envolvendo o mesmo suspeito.

De acordo com a Polícia Civil, os inquéritos apontam uma sequência de episódios ocorridos ao longo de 2025 em diferentes regiões do Distrito Federal, principalmente em Águas Claras e Taguatinga.

Além do caso mais recente, os investigadores apuram ao menos outras três ocorrências atribuídas ao piloto, envolvendo denúncias de agressão, constrangimento ilegal e fornecimento de bebida alcoólica a menor de idade.

Entenda a agressão de Pedro Turra que deixou jovem na UTI

O episódio que levou à nova prisão ocorreu na noite de 22 de janeiro. Pedro e o adolescente se envolveram em uma discussão que começou após um comentário relacionado a um chiclete jogado pelo piloto em direção a um amigo.

Após a troca de palavras, Pedro desceu do veículo e houve confronto físico. Imagens feitas por testemunhas mostram os dois trocando golpes até o momento em que o jovem de 16 anos é atingido, bate a cabeça em um carro estacionado e cai.

Ele foi socorrido e levado ao Hospital Brasília, em Águas Claras, onde segue internado na UTI, intubado. Durante o atendimento, houve registro de vômito com sangue, e o estado de saúde permanece grave.

Inicialmente, o caso foi enquadrado como lesão corporal grave, mas a tipificação pode ser revista conforme a evolução clínica da vítima. Em depoimento, Pedro afirmou que não teve intenção de causar ferimentos e disse que tentava se defender. Também pediu desculpas ao adolescente e à família.

Com a repercussão do caso, outros registros policiais passaram a ser analisados em conjunto. Um deles foi registrado em 28 de junho de 2025, na 21ª Delegacia de Polícia, em Taguatinga Sul. Segundo o boletim, Pedro teria se envolvido em uma agressão contra um jovem em uma praça pública após desentendimento anterior.

A vítima relatou ter recebido um soco na região da costela, seguido de um golpe de estrangulamento e outras agressões, que só cessaram após a intervenção de terceiros. A investigação segue em andamento.

Outro inquérito trata de uma denúncia feita por uma adolescente de 17 anos, relacionada a uma festa ocorrida no Jockey Club, também em junho de 2025. Conforme o relato, a jovem teria sido forçada a consumir bebida alcoólica, mesmo após recusar. Testemunhas afirmaram que o piloto teria solicitado ajuda de outras pessoas para impedir que ela se afastasse, obrigando a ingestão de vodca diretamente da garrafa. O episódio foi registrado em vídeo e anexado ao inquérito. O caso pode se enquadrar no artigo 243 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata da oferta de álcool a menores.

Há ainda uma ocorrência registrada em 19 de julho de 2025, envolvendo uma confusão no trânsito em Águas Claras. O boletim descreve um acidente seguido de perseguição até o condomínio da vítima, um homem de 49 anos. Segundo o registro, o acesso ao local foi bloqueado por dois veículos, e houve agressões físicas durante a discussão. O caso foi classificado como vias de fato, sem constatação de lesão corporal.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão relacionados às investigações, policiais encontraram uma faca e um soco inglês na residência de Pedro. Para a Polícia Civil, o conjunto de depoimentos, imagens e materiais apreendidos indica que os fatos não ocorreram de forma isolada, o que fundamentou o pedido de prisão preventiva.

O delegado responsável pelo caso, Pablo Aguiar, afirmou em entrevista coletiva que as apurações revelaram relatos semelhantes de diferentes vítimas. Declarações feitas por ele durante a coletiva foram contestadas pela defesa do piloto. O advogado Enio Barros afirmou que o delegado extrapolou suas atribuições ao comentar o comportamento do investigado, argumentando que esse tipo de avaliação não cabe à autoridade policial.

Na quinta-feira, 29, antes da nova decisão judicial, o advogado da família do adolescente internado havia solicitado a prisão de Pedro, mas o pedido foi negado em um primeiro momento. Com a apresentação de novos elementos ao processo, a Justiça reconsiderou e expediu o mandado cumprido no dia seguinte.

A Polícia Civil informou que as investigações continuam e que outras pessoas envolvidas nos episódios já prestaram depoimento. O espaço segue aberto para manifestações da defesa de Pedro Turra e das demais partes citadas.