Em Madri, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, acusou nesta segunda-feira (31) redes “russas e israelenses” de disseminarem informações falsas. Segundo Sánchez, a desinformação teve como objetivo estimular a chegada em massa de migrantes a Ceuta, um exclave espanhol localizado no norte da África.
A crise de desinformação, conforme detalhado pelo premiê em entrevista à rádio Cadena Ser, teria distorcido uma sentença do Tribunal Supremo de Madri. Essa decisão judicial impedia que deslocados internacionais que chegassem à cidade autônoma pelo mar fossem deportados sumariamente.
- Pedro Sánchez aponta que redes russas e israelenses disseminaram desinformação para incentivar a migração em Ceuta.
- A campanha de notícias falsas distorceu uma decisão judicial, sugerindo que migrantes que chegassem a nado não seriam deportados.
- Governos da Rússia e de Israel negaram veementemente as acusações, criticando a postura do primeiro-ministro espanhol.
“Fizeram circular a mentira de que, se alguém entrasse a nado em Ceuta, seria impossível o retorno à fronteira, o que não é verdade”, declarou Sánchez. Ele acrescentou que a decisão judicial foi “distorcida e difundida nas redes sociais por meio de notícias falsas de desinformação, inclusive com a participação de organizações criminosas”.
Como a desinformação se espalhou?
O premiê associou a campanha “tanto à Rússia quanto a Israel”, bem como a uma “internacional da ultradireita que utiliza a imigração não apenas para atacar a Espanha, mas também a Europa”. A afirmação destaca a preocupação com a instrumentalização da questão migratória para fins políticos e desestabilizadores no continente.
A crise migratória mencionada por Sánchez ocorreu entre os dias 30 e 31 de julho, quando cerca de 72 mil pessoas atravessaram a nado de Marrocos para Ceuta. Embora a grande maioria tenha sido devolvida imediatamente, centenas de migrantes, muitos deles menores de idade, permanecem no exclave, gerando um desafio humanitário e logístico para as autoridades locais.
Na entrevista, Sánchez descartou qualquer envolvimento das autoridades marroquinas no episódio, enfatizando que as investigações sobre a origem e a propagação das notícias falsas continuam em andamento, buscando identificar os responsáveis pela campanha de desinformação.
Rússia e Israel reagem às acusações
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, negou qualquer participação russa na crise em Ceuta. Questionado pela imprensa sobre as acusações de Sánchez, respondeu de forma categórica: “Não, [as autoridades russas] não tiveram nenhum papel”. A Rússia frequentemente é acusada de campanhas de desinformação em contextos europeus.
Já o ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Sa”ar, acusou o premiê espanhol de “mentir descaradamente” em suas declarações. Ele criticou duramente Sánchez, afirmando: “Continuar disseminando mentiras difamatórias não vai desviar a atenção do fracasso vergonhoso de Sánchez em gerir os assuntos do seu país”.