Depois de alcançar centenas de fãs com o doce Guto em “Garota do Momento” (Globo), Pedro Goifman, 22 anos, agora chega ao cinema em um lugar bem menos confortável. Em Eclipse, longa nacional de Djin Sganzerla com Sergio Guizé e Lian Gaia, que chega aos cinemas no dia 07 de maio, o ator interpreta Felipe, um personagem que não busca empatia e expõe, sem filtro, comportamentos nada aceitáveis.
“O que me atrai é o desafio. Mergulhar em um personagem diferente e entender de onde vem essa violência, que parece ser carregada por herança. O Felipe foi um mergulho em um abismo do horror, mas que ao mesmo tempo é muito palpável”, conta o ator.
+SBT se manifesta sobre foto gerada por IA exibida em telejornal; entenda o caso
+Entrevista de Anna Kendrick sobre Katy Perry ressurge após acusações de abuso; veja
Longe de um antagonista tradicional, Felipe se constrói em uma zona mais ambígua. É um personagem que incomoda não só pelo que faz, mas pelo que representa. Um reflexo de estruturas que o filme prefere expor a explicar, segundo Pedro.
Esse tipo de escolha não acontece por acaso. Eclipse surge em um momento em que Goifman parece interessado em tensionar a própria imagem, apostando em figuras mais contraditórias.
“A minha maior expectativa é a de continuar explorando diferentes aspectos do ser humano e suas complexidades. Eu estou tendo a possibilidade de fazer personagens muito diferentes entre si, o que é muito engrandecedor e sempre me deixa com vontade de aprender e aprofundar.”
Um filme que não busca conforto
A proposta da obra de Djin Sganzerla, com Sergio Guizé, Lian Gaia, Selma Egrei, Helena Ignez e grande elenco, passa longe de uma experiência confortável para o público. “Não espero uma reação positiva. Não é um filme para sair do cinema com uma sensação exatamente boa. Ele fala de uma realidade terrível e que está muito próxima. Mas ao mesmo tempo, não é um filme paralisante. Gostaria que as pessoas saíssem das salas de cinema com ímpeto de mudança e vontade de ação.”
A escolha por personagens incômodos também se conecta a uma visão mais ampla sobre o papel da arte. “Acredito que a arte pode ser ferramenta política e tenho vontade de fazer obras que desnaturalizam o que está naturalizado e que promovam algum tipo de tensão.”
A Professora de Francês e a carreira internacional
A busca pela quebra de expectativas também aparece em outro trabalho já finalizado. Em A Professora de Francês, de Ricardo Alves Jr., Goifman mergulha em um universo mais denso, próximo ao suspense e ao terror. No longa, ele vive Tomaz.
“É um personagem bem distante da minha realidade”, conta. “Entretanto, ambos somos interessados pela performatividade, pela palavra, pelo pensar.” Ainda sem data de estreia, o filme é uma coprodução entre Brasil, França e Portugal.
Gravado em Belo Horizonte-MG, o filme reúne uma equipe internacional e marca um novo momento na carreira do ator, que passa a circular também em produções fora do eixo tradicional brasileiro.
A experiência, segundo ele, foi atravessada por diferentes culturas e formas de trabalho. “A Professora de Francês é um filme com produção Brasil-França-Portugal. Estar em um set tão plural culturalmente é muito rico. As línguas diferentes, os jeitos… Gravamos em um set que falava português brasileiro, português de Portugal, francês e inglês.”
Com o Brasil em alta, uma carreira internacional está nos planos, mas não como o objetivo em si. Pedro prefere manter o foco nos encontros e nos processos. “Desejo trabalhar com artistas engajados e apaixonados. Não existe nada melhor do que co-criar e pensar em arte em coletivo. Claro que abre portas e fico feliz com isso. O que mais me brilha os olhos é a possibilidade de conhecer novas culturas e, quem sabe, criar com artistas de outros cantos. Mas o que me guia é realmente a arte e fico muito feliz de estar no Brasil, que é tão pulsante.”
Planos para o futuro
Esse movimento também se reflete nos próximos trabalhos. Além de Eclipse e A Professora de Francês, Goifman já tem outros projetos engatilhados, como o longa Não Nasci Pra Esta Cidade e a série Tarã, do Disney+, ainda sem data de estreia. Também participa de projetos como “Espólio”, longa que será dirigido por Alexandre Dal Farra, e “Terra Roxa”, longa que será dirigido por Mauricio Abbade. Em ambos será protagonista e, no segundo, participa também do roteiro.
Mesmo com o avanço no audiovisual, o teatro segue como parte essencial desse percurso. “Eu me sinto vivo e inteiro ali.” Nos bastidores, também desenvolve projetos autorais, como o curta Adrenalina, que dirige, e se aproxima cada vez mais da criação. “Tenho escrito bastante ultimamente. Roteiro, edital, projeto. Criar histórias é algo que tenho praticado cada vez mais.”
Ver esta publicação no Instagram