O Dia

Pedra do Sal, patrimônio da cultura africana, está interditada

Rebocos de um prédio próximo ao ponto turístico despencaram, amassando bancos e deixando pedras de concreto espalhadas pelo local.

Rio – A dois dias do Dia Nacional da Consciência Negra, a Pedra do Sal, um dos maiores patrimônios da cultura africana no Rio, segue interditada por ordem da Defesa Civil. Na última segunda-feira, pouco antes do temporal que assolou a cidade, rebocos de um prédio que fica ao lado do ponto turístico despencaram amassando bancos e deixando pedras de concreto espalhadas pelo local.

Residente do Largo da Prainha, Vladimir Victor, de 50 anos, conta que, apesar de parcialmente interditadas, continua usando as escadas da Pedra do Sal para chegar em casa. “Eu trabalho fora o dia inteiro e quando chego em casa, volto por aqui. Dá para subir pelo outro lado, mas é bem distante por lá”, destaca, enquanto fala da orientação para que os moradores evitem circular pelo local. “A Defesa Civil sugeriu, inclusive, que a gente cancelasse o samba, que acontece toda segunda e sexta-feira aqui”, diz.
A Subsecretaria de Proteção e Defesa Civil, vinculada à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), confirmou que uma vistoria técnica foi feita no prédio de onde caiu o beiral da fachada. “O caso foi encaminhado à Secretaria de Urbanismo, órgão responsável por fiscalizar e acompanhar a regularização, e foi realizado o isolamento da área de projeção em trecho da Pedra do Sal, como medida de segurança”, manifestaram, em nota.

 
Festa suspensa

 
Por conta das interdições, as celebrações da cultura negra que costumam acontecer no local durante o feriado permanecem suspensas. Responsável por um dos grupos de samba que toca na Pedra do Sal todas as semanas, Wagner Silveira confirmou que os próximos eventos foram cancelados. “Segundo informações que recebemos, o espaço segue interditado. Não nos passaram nenhuma data nova nem nada”, destaca o produtor.

 
Sorte

 
Nascida na Pedra do Sal, Dona Darcy de Araújo, de 78 anos, comemora a ausência de moradores no local na hora em que as pedras despencaram do prédio. “Que bom que não tinha ninguém passando na hora. As pessoas vivem por ali e até os bancos ficaram quebrados. Foi muita sorte”, ressalta.