Peça Julia no Rio

Peça Julia no Rio

Daniel Schenker Foto Divulgação Através da montagem de Julia, Christiane Jatahy dá continuidade a sua pesquisa centrada na conexão entre teatro e cinema. Nessa versão contemporânea de Senhorita Julia, de August Strindberg, a diretora entrelaça as cenas do espetáculo com outras filmadas, tanto ao vivo quanto previamente. As filmadas de antemão e projetadas em telas diante do espectador são aquelas que não poderiam ocorrer em cima de um palco: cenas ambientadas no jardim ou na piscina da casa da personagem-título, espaços onde seduz o empregado da família. Ao também filmar passagens do próprio espetáculo e projetá-las durante a apresentação, Jatahy chama atenção para o fato de que o cinema não é necessariamente uma manifestação atada ao passado. Como o teatro, pode ter vínculo com o presente. Além disso, a presença em cena de um cinegrafista (David Pacheco) ? que, vez por outra, pede aos atores para repetirem determinados instantes como se estivessem num estúdio de cinema ou de televisão ? evidencia a natureza artificial do trabalho artístico. É uma opção interessante em se tratando de Christiane Jatahy, que costuma ocultar o processo de construção (da cena ou da personagem) do espectador, de modo a transmitir a impressão de que o que acontece no palco é espontâneo, fruto do instante imediato. A atualização da peça de Strindberg é justificada ainda por um desejo da diretora de destacar o conflito social e racial a partir da história de uma menina de família rica que se envolve com o empregado do pai sem abrir mão, porém, de seus princípios aristocráticos. Personagens sustentados por Julia Bernat e, com um pouco mais de maturidade interpretativa, Rodrigo dos Santos. Mezanino (Sesc Copacabana) ? r. Domingos Ferreira, 160, Rio, tel. (21) 2547-0156. Até 13/11.