O atual quadro de expansão do time de pré-candidatos oficiais à Presidência em 2022 coincide com uma investida do governo federal que pode agravar a crise fiscal e produzir mais inflação. Neste contexto, nomes que se colocam no centro político têm defendido a inclusão da agenda liberal no debate que envolve a disputa pelo Palácio do Planalto.

Para tentar se manter competitivo em seu projeto de reeleição, o presidente Jair Bolsonaro determinou manobras para o estouro do teto de gastos com o objetivo de ampliar o auxílio emergencial, agora batizado de Auxílio Brasil. Pré-candidatos, apoiadores e analistas políticos avaliam que é um momento propício para dar protagonismo à discussão sobre responsabilidade fiscal, privatizações e reformas estruturantes.

“Todos vamos trabalhar para ter um candidato só na terceira via, mas agora é hora de discutir proposta. Nenhum país fica rico com o varguismo na economia”, afirmou o cientista político Luiz Felipe d’Avila, que será lançado hoje pré-candidato do Novo à Presidência. “O governo Bolsonaro traiu a pauta liberal.

Nada do que ele disse que ia fazer foi feito, como privatização, abertura econômica e inserção do Brasil na economia global. A pauta liberal na economia não aconteceu, e ela é a única forma de assegurar o crescimento econômico sustentável. A pauta liberal foi abraçada inclusive por países antiliberais como a China.”

MORO

A mobilização contra o “populismo fiscal” do governo tem sido encampada por outras forças políticas que planejam entrar na corrida de 2022. Prestes a se filiar ao Podemos, no dia 10, o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro começa a se alinhar à retomada da agenda liberal.

Em artigo há duas semanas na revista Crusoé, Moro fez menção à prioridade que deve ser dada no combate à inflação. Foi um dos primeiros comentários públicos feitos por ele sobre economia. “Controlar a inflação, como se fez com o Plano Real, assim como prevenir e combater a corrupção, como se fez durante a Lava Jato, são conquistas civilizatórias”, disse. A expectativa é de que, após se filiar, o ex-juiz torne explícito o que pensa a respeito do papel do Estado, das reformas tributária e administrativa, teto de gastos, privatizações, preço de combustíveis, entre outros pontos.

“Moro nos informou que está conversando com economistas e empresários”, disse o senador Álvaro Dias (PR), que se tornou um dos principais interlocutores do ex-ministro no Podemos. “Desde que assumiu a condição de candidato, (Moro) passou a trabalhar uma agenda liberal. Sem dúvida a mais dramática herança dos últimos governos foi o desequilíbrio fiscal.”

D’Avila será lançado com um claro recado contra o “populismo fiscal”. Em vídeo aos seguidores do Novo ele mostrou insatisfação com o custo de medidas que extrapolam o teto de gastos para a retomada do crescimento econômico.

Para o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendência Consultoria, “as teses liberais serão em 2022 um contraponto importante ao governo Bolsonaro, que não praticou o liberalismo”. “Mas não me parece que esse seja o caminho para a vitória eleitoral. O sucesso da terceira via não passa pela compreensão de quem é mais liberal.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.