O arcebispo salvadorenho Óscar Romero, grande defensor dos pobres e que se tornou uma lenda após o assassinato em 1980, e o papa Paulo VI (1963-1978) serão canonizados em 14 de outubro na basílica São Pedro de Roma, anunciou neste sábado o papa Francisco.
A canonização acontecerá durante o sínodo (reunião de bispos) sobre os jovens, que acontecerá em outubro no Vaticano, afirmou o papa durante uma reunião dedicada à causa dos santos.
Descrito como um homem simples e próximo ao povo, Óscar Romero, nascido em 1917, assumiu a defesa dos camponeses sem terra, o que provocou a revolta dos meios conservadores em El Salvador.
Na noite de 24 de março de 1980 Romero foi assassinado por um franco-atirador que recebeu 1.000 colones (400 dólares na época) da extrema-direita.
O assassinato aconteceu no início da guerra civil em El Salvador (1980-1992), que deixaria 75.000 mortos e pelo menos 7.000 desaparecidos. Três milhões de salvadorenhos foram obrigados a deixar o país.
Uma comissão da verdade criada pela ONU concluiu em 1993 que “existe plena evidência” de que o major Roberto D’Aubuisson, fundador da Aliança Republicana Nacionalista (Arena), falecido em fevereiro de 1992, “deu a ordem de assassinato do arcebispo”.
Os meios conservadores bloquearam durante muito tempo qualquer reconhecimento oficial da Igreja ao arcebispo dos pobres, mas dois anos depois da eleição do papa Francisco – primeiro pontífice da América Latina – o Vaticano reconheceu o “mártir”, o que abriu caminho para a beatificação em maio de 2015 diante de mais de 200.000 fiéis em San Salvador.
– Paulo VI –
O papa Paulo VI, que nasceu com o nome de Giovanni Battista Montini em 1897, terminou durante seu pontificado o concílio Vaticano II iniciado por seu antecessor, João XXIII. Foi beatificado em outubro de 2014.
De acordo com o site Vatican Insider, o milagre que permite a canonização do papa italiano diz respeito a uma menina nascida de modo prematuro em 25 de dezembro de 2014, depois que os médicos recomendaram um aborto terapêutico.
Paulo VI foi criticado por seu “não” à pílula anticoncepcional em 1968.
O papa Francisco já canonizou João XXIII (1958-1963) e João Paulo II (1978-2005). Está em curso um procedimento de beatificação de João Paulo I, falecido 33 dias depois de sua eleição em 1978.
Francisco já brincou ao afirmar que Bento XVI e ele mesmo estão na “lista de espera”.
Com a canonização, que é a conclusão de um longo processo, a Igreja Católica deseja apresentar c omo exemplo aos cristãos as pessoas que declara “santas”, após uma investigação minuciosa que inclui o reconhecimento de milagres.