O ministro da Educação, Abraham Weintraub, afirmou nesta quinta-feira (5) que “Paulo Freire e kit gay não têm vez no MEC”. A declaração foi dada por meio da conta oficial do ministro no Twitter, enquanto ele divulgava uma amostra do material feita pelo pelo secretário de Alfabetização, Carlos Nadalim.
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“Paulo Freire e kit gay não têm vez no MEC do Pres. Jair Bolsonaro. Vejam uma amostra do formato/conteúdo do material que o professor Carlos Nadalim preparou para as crianças. Querem saber mais? Sigam o prof. Carlos Nadalim, o novo rosto (e o primeiro sorriso) do ensino no Brasil”, escreveu Weintraub.
Paulo Freire e kit gay não têm vez no MEC do Pres. @jairbolsonaro. Vejam uma amostra do formato/conteúdo do material que o professor @CarlosNadalim preparou para as crianças. Querem saber mais? Sigam o prof. @CarlosNadalim, o novo rosto (e o primeiro sorriso) do ensino no Brasil. pic.twitter.com/hjPjL19fVK
— Abraham Weintraub (@AbrahamWeint) March 5, 2020
Bolsonaro e seus apoiadores chamam de “kit gay” o material batizado de “Escola sem Homofobia”, que chegou a ser discutido dentro do Ministério da Educação (MEC) em 2011, mas que teve produção e distribuição vetadas pela então presidente da República, Dilma Rousseff.
Também alvo de ataques do governo, o educador e filósofo, Freire (1921-1997) é considerado um dos principais pensadores da história da pedagogia mundial, tendo influenciado a pedagogia crítica. Sua prática tinha como fundamento a crença de que o estudante assimilaria o objeto fazendo seu próprio caminho, e não seguindo um já construído.
Paulo Freire ganhou 41 títulos de doutor honoris causa de universidades como Harvard, Cambridge e Oxford. O educador foi preso em 1964, viveu no Chile durante exílio e percorreu diversos países, levando seu modelo de alfabetização. Em 1979, com a publicação da Lei da Anistia, o filósofo retornou ao Brasil.