Cultura

Paulistanos usam quarentena para mudanças e reformas em casa


Há quanto tempo você não ouve alguém dizendo: “Eu não paro mais em casa”? Com a pandemia, esse comentário clássico praticamente sumiu do nosso repertório. Agora, paramos em casa, trabalhamos em casa, estudamos em casa, brindamos em casa, em casa, em casa, em casa…

Natural que, em algum momento, esse “estar em casa” resultasse em um certo cansaço, um tédio em relação à disposição dos móveis, à cor das paredes ou à presença de um sofá desgastado pelo tempo. O resultado disso foi que muita gente decidiu “virar o próprio lar do avesso” nos últimos meses.

O caso de Jeff Antony, de 34 anos, é emblemático. Como maquiador e cabeleireiro de noivas, ele viu o seu trabalho desaparecer durante os primeiros meses da pandemia. “Por conta disso, tive meu momento de olhar para a minha própria casa. Queria viver em um ambiente mais agradável, mas não podia gastar muito. Então, decidi por aquilo que era mais barato e que se encaixasse no ‘faça você mesmo’”, contou.

Com a vontade de transformar e com a régua da economia na cabeça, Antony partiu para soluções criativas. Ele usou materiais que iriam para o lixo para criar estantes com tubos de PVC, caixotes e palhas para compor novos espaços, fitas isolantes e papel contact na decoração, etc.

A cada mudança em casa, Antony fazia um registro em seu Instagram. Aos poucos, ele foi ganhando seguidores (chegou aos 25 mil) e começou a ser convidado para atuar como decorador. O que foi uma decisão de “inovar a casa” acabou se transformando em uma profissão. Já está nos planos de Antony iniciar um curso de design de interiores para fundamentar ainda mais sua nova carreira.


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Uma das seguidoras de Antony foi a dentista Camila Basilio Lopes, de 39 anos. “Antes da pandemia, eu passava 12 horas trabalhando e, praticamente, só chegava em casa para dormir. Depois, passei a perceber que não me sentia mais confortável na minha casa”, disse. Esse sentimento fez com que Camila pintasse paredes, trocasse lustres e cortinas. “Agora, tenho uma porta cor de beterraba, outra porta azul-marinho, mudei a iluminação… Finalmente, sinto que minha casa está mais aconchegante.”

A busca por aconchego também foi o que moveu a farmacêutica Lilian Patricia Bento Sabeh, de 36 anos. “Antes eu não parava em casa. Mas quando a pandemia chegou, eu senti necessidade de transformar o meu ambiente. Coloquei mais tapetes, aquecedores, plantas, um sofá novo na varanda…”, enumerou. “Aproveitei para equipar a casa para fazer exercícios também”, completou Lilian – e nesse ritmo, ela trocou de trabalho também.

Assim como aconteceu com Lilian, a gerente de vendas Maristela Cestari de Aragão, de 50 anos, que aproveitou o pique de mudanças no lar para decisões mais profundas. “Eu não consigo ficar parada. Mudei os móveis de lugar, troquei acentos em busca de maior conforto. Nossa casa tem que ser um pedacinho do paraíso na Terra”, disse. No mesmo período em que virava a casa de ponta-cabeça, Lilian também passou por sua primeira demissão. “Então, aproveitei esse ritmo e decidi entrar para a faculdade de veterinária, que sempre foi o meu sonho.”

Mudar a casa ou de casa parece ter a força de provocar outras revoluções. O executivo Ed Lopes, de 31 anos, foi um dos tocados por esse espírito. “Me veio uma vontade de inovar e de dar um passo diferente na minha vida. Troquei de apartamento, coloquei um piso de madeira, usei cores diferentes, pendurei quadros que antes não tinham espaço em casa”, contou.

Mas a transformação mais significativa foi a construção de um estúdio de música no próprio apartamento. “Isso mudou minha vida. Eu acordo cheio de ideias e tenho essa facilidade de ter um estúdio em casa. Posso trabalhar sem muito deslocamento. Transformei meu hobby em profissão”, explicou o agora produtor musical Lopes.

Profissionais

A arquiteta e urbanista Mariana Alvarenga, de 25 anos, contou que até julho os trabalhos estavam escassos, mas, com o aprofundamento da pandemia, a procura por reformas aumentou muito. “Quando as empresas adotaram o home office de forma mais permanente, as pessoas começaram a se preocupar com conforto, com barulho, e, a partir daí, vieram todos os projetos de mudar o ambiente da própria casa”, disse.

“Além disso, quem morava em apartamento muito pequeno começou a se sentir incomodado. Nem todo mundo podia se mudar, mas a opção por uma reforma, decoração e pintura que desse a sensação de um espaço maior, mais arejado, virou uma realidade”, disse Mariana.

A design de interiores Andréa Sábbato, de 44 anos, lembrou de clientes que decidiram “desmontar um lavabo para fazer um espaço de home office”. “Como muita gente ficou trancada em casa, aquelas pequenas reformas que ninguém dava bola acabaram ganhando importância”, afirmou. “Além disso, teve gente que vendeu o apartamento e foi morar em casa porque buscava mais espaço.”

O doutor em psicologia da saúde e responsável técnico pela Vittude (plataforma de terapia online) Fábio Camilo explicou que a insatisfação costuma se manifestar quando as pessoas se veem limitadas ou confinadas. “Como não podem mudar a realidade global, as pessoas atuam para mudar aquilo que está ao alcance delas – como no caso de uma reforma na própria casa.”

Camilo também disse ser necessário observar se essa necessidade de mudar coisas na própria casa não se torna uma obsessão. “Se você tira um móvel do lugar, mas no dia seguinte já se sente insatisfeito, e isso se repete consecutivamente em uma busca por perfeição, você pode estar com sintomas de ansiedade ou TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo). Existe uma linha, uma diferença, entre o que é saudável e o que não é. Promover mudanças em casa não pode acarretar sofrimento. Se esse sentimento aparecer, o melhor é procurar ajuda profissional”, aconselhou.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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