O Paulistão passou por mudanças no formato de disputa e tem modelo inspirado na Champions League, com pontos corridos na primeira fase, para continuar atrativo e seguir sendo considerando o Estadual mais importante do País.
O Paulistão é o campeonato estadual com o maior número de representantes da Série A. São seis clubes na elite do futebol brasileiro: Corinthians, Mirassol, Palmeiras, São Paulo, Santos e Red Bull Bragantino. Outros quatro disputam a Série B: Novorizontino, São Bernardo, Botafogo e Ponte Preta.
No fim, os oito melhores colocados na classificação geral avançam para o mata-mata, enquanto os dois piores são rebaixados para a Série A2.
Os quatro grandes da capital – Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos – foram definidos como cabeças de chave. A Federação Paulista de Futebol (FPF) manteve os clássicos nessas primeiras rodadas como uma maneira de manter a competição chamativa para o público. As três rodadas iniciais do torneio já receberam o Majestoso, disputado na Neo Química Arena, e o clássico da saudade, entre Palmeiras e Santos, na Arena Barueri.
“Quando falamos do Paulistão, estamos tratando de um patrimônio do futebol brasileiro. É o estadual mais forte do país, que atrai um número expressivo de patrocinadores e se reinventa a cada temporada, como mostrou o novo formato em 2026. Essa força não é apenas comercial, é histórica e esportiva. O Santos sempre irá valorizar e prestigiar uma competição que segue sendo referência entre os campeonatos regionais do Brasil”, afirma o presidente do Santos, Marcelo Teixeira.
Na visão de Adalberto Baptista, presidente do Conselho de Administração da Botafogo Futebol SA, a mudança na fórmula de disputa aumenta o desafio para as equipes do interior.
“Para os clubes que não estão na Série A do Brasileiro, o desafio é ainda maior. Além disso, houve uma redução no calendário, e agora são apenas oito jogos na primeira fase, transformando cada partida em uma verdadeira final. O Botafogo conhece bem essas dificuldades. O clube tem uma história muito sólida na competição. Somos a equipe do interior com mais participações consecutivas na elite”, diz.
As SAFs também têm impulsionado o nível do Paulistão. Tal modelo de gestão é adotado por clubes como Capivariano e Primavera. Em ambos os casos, a nova organização auxiliou as equipes a serem promovidas da Série A2 no ano passado. Ambas figuram na zona de classificação para a próxima fase na atual edição.
No Capivariano, o novo modelo de gestão possibilitou novos investimentos no futebol profissional, categorias de base e estrutura do Estádio Carlos Colnaghi, permitindo ao clube retornar à elite paulista após 10 anos, com o título da A2 em 2025.
Já no caso do Primavera, o projeto teve início em 2019. Três anos depois viu na SAF a possibilidade de dar um novo passo. Em 2026, o clube disputa a elite do estadual pela primeira vez em sua história.
“Comparados aos clubes de maior porte, os times menores não enxergam alternativa além da SAF para atraírem investidores e, consequentemente, dinheiro”, analisa Cristiano Caús, advogado especializado em direito desportivo e sócio do CCLA Advogados.
Fora de campo, o Campeonato Paulista também alcançou uma valorização e tem ampliado o seu portfólio de parcerias com as marcas. Hoje a competição conta com 15 patrocinadores fixos e possui acordo com três casas de aposta, além das empresas Bis e Casas Bahia, gigante do varejo que comprou os naming rights da competição.
O Paulistão tem seus direitos de transmissão fragmentados, o que, na visão de especialistas, foi importante para ampliar a audiência e visibilidade. A Record exibe as partidas na TV aberta e a CazéTV, no YouTube. Os jogos também estão sendo transmitidos na TNT (TV fechada) e na HBO Max, pelo streaming.
O Paulistão distribuiu R$ 5 milhões em premiação ao campeão. Só o Campeonato Carioca paga mais: R$ 10 milhões ao vencedor. Em outros regionais mais tradicionais, caso do Campeonato Gaúcho, não há sequer prêmio.
“O Campeonato Paulista tem um peso significativo para os clubes, que recebem repasses importantes com direitos de transmissão e receitas de marketing. É uma competição que se valoriza a cada temporada e atrai a atenção do país inteiro”, analisa Moises Assayag, sócio-diretor da Channel Associados e especialista em finanças no esporte.