‘Pátria amada não é pátria armada’: 120 milhões de católicos brutalmente agredidos

‘Pátria amada não é pátria armada’: 120 milhões de católicos brutalmente agredidos

Dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, foi alvo, ao lado de bispos da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e do Papa Francisco, de um virulento ataque de um deputado bolsonarista, ofendido com as palavras que o religioso usou em seu discurso do dia 12 passado, na presença do amigão do Queiroz, Jair Bolsonaro: ‘pátria amada não é pátria armada’.

Indignado com o arcebispo, o sabujo travestido de deputado mandou ver no bolsonarismo clássico: ‘seu safado da CNBB dando recadinho para o presidente, para a população brasileira, que pátria amada não é pátria armada. Pátria amada é a pátria que não se submete a essa gentalha. Seu vagabundo, safado, que se submete a esse papa vagabundo também.

E continuou: ‘a última coisa que vocês tomam conta é do espírito, do bem-estar e do conforto da alma das pessoas. Você acha que é quem para ficar usando a batina e o altar para ficar fazendo proselitismo político? Seus pedófilos safados, a CNBB é um câncer que precisa ser extirpado do Brasil”. Eis aí! É possível ser mais bolsonarista clássico do que isso?

Alguém aí já viu, ou ouviu, o clã Bolsonaro e seus mais fiéis seguidores debaterem – vá lá, combaterem – adversários (que consideram inimigos!) políticos de forma civilizada, lógica, honesta e democrática? Pois é. O modus operandi da malta é sempre o mesmo: agressão, virulência, violência e ameaças. Depois reclamam de ser comparados a nazifascistas.

Fico imaginando uma fala assim, contra evangélicos ou judeus, vinda de um deputado de esquerda: ‘os evangélicos (os judeus) são um câncer que precisa ser extirpado do Brasil’. E essa gente asquerosa ainda se diz contrária às ditaduras, a favor da liberdade de expressão e defensores do povo brasileiro. Vai ver que os católicos não são ‘povo brasileiro’; são adoradores do demo!

Eu não sei o que fará a CNBB a respeito. Aliás, eu não sei o que farão os bispos, que foram chamados de pedófilos, a respeito. E também não sei o que farão, nas urnas, os cerca de 120 milhões de católicos, que devotam sua fé ao ‘câncer que precisa ser extirpado do Brasil’. Mas sei o que deveria fazer a ALESP (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo): cassar o mandato deste cretino.

E sei também o que deveria fazer você, que me lê e que ainda empresta seu apoio ao marido da receptora de 90 mil reais em cheques de milicianos, o mesmo que é pai do senador das rachadinhas e da mansão de 14 milhões de reais, comprada por apenas 6 milhões, o devoto da cloroquina, maníaco do tratamento precoce, Jair ‘100%’ Bolsonaro: fuja dessa gente como o diabo (bú!) foge da cruz – o câncer que, segundo o deputado bolsonarista, precisa ser extirpado do Brasil.


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Sobre o autor

Ricardo Kertzman é blogueiro, colunista e contestador por natureza. Reza a lenda que, ao nascer, antes mesmo de chorar, reclamou do hospital, brigou com o obstetra e discutiu com a mãe. Seu temperamento impulsivo só não é maior que seu imenso bom coração.


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