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Passeio de bicicleta une história e música em São Miguel Paulista

Crédito: Gerson Areias/Divulgação

A Ciclovia Musical desembarca num dos bairros mais antigos da zona leste de São Paulo para percorrer roteiros históricos, como a Capela de São Miguel Arcanjo, a mais antiga da cidade, onde se apresenta o quarteto internacional de flautas Quinta Essentia. O grupo possui mais de 60 instrumentos, de diferentes formatos, tamanhos e épocas, que são escolhidos de acordo com o repertório para que o público tenha diferentes sensações a cada nova música.

A 9a edição do projeto acontece dia 22 de maio, domingo, das 09:00 às 13:00, e terá quatro roteiros simultâneos totalmente grátis para o público, que precisa se inscrever no site da Ciclovia Musical para garantir a sua vaga. O roteiro 1 já está quase lotado. Os participantes precisam apresentar comprovante de vacinação contra a Covid-19 no local. Na entrada para a apresentação no Auditório Azul da EACH, da USP Leste, a organização vai disponibilizar máscaras, porque no campus o uso é obrigatório.


Cada roteiro passa por cinco apresentações diferentes e tem lugar para 100 ciclistas, um total de 15 concertos, 11 palcos e 400 ciclistas.  Vários grupos especiais foram cuidadosamente selecionados para garantir que a plateia possa vibrar e se emocionar.

O quinteto de cordas Groove Guys, que segundo o diretor artístico da Ciclovia Musical, Éser Menezes, se transformou na cara da Ciclovia Musical, unindo a formação clássica aos standards da Bossa Nova e da música internacional, vai se apresentar em um palco inusitado: o estacionamento do Atacadão de São Miguel. Mesmo sem pedalar, quem estiver fazendo compras, também vai poder curtir.

Além dos grupos Duo Abdalla, Ôncalo, Quarteto Pizindim, Quarteto Real, The Jazz Brothers, Teko Porã, Sopra Trio e Palhaço Possu, entre outros.

Os monitores artísticos que interagem com o público aproximam a música clássica e instrumental de quem ainda não teve a oportunidade de ouvir, monitores culturais que vivem e pedalam na região vão contar a história do Brasil que o próprio país desconhece. São Miguel é um bairro dormitório que abriga uma diversidade de origens étnicas e ajudou a formar a população de São Paulo, com índios, negros, nordestinos, japoneses e libaneses. 

Giane Martins, criadora e diretora da Ciclovia Musical. (Éser Menezes/ Divulgação)

“A Ciclovia Musical é muito mais do que bike, é o compartilhamento da nossa paixão pela música e bicicleta, para inspirar as pessoas a optarem por uma vida saudável e sustentável através do ciclismo e pelo bem-estar com uma experiência musical e cultural inesquecível”, afirma Giane Martins, criadora e diretora do projeto, que fará a décima edição em junho, em Jundiaí.

Pedro Florence é um dos monitores artísticos e ex-violinista da Orquestra Experimental de Repertório (OER). Esta é a terceira vez que pedala com a Ciclovia Musical. “Estou ansioso para o trajeto de São Miguel Paulista. Vai ser uma excelente oportunidade para conhecer o bairro e interagir com outras pessoas apaixonadas por música e ciclismo. Com a bicicleta sinto uma conexão muito diferente com a cidade e comigo mesmo: observo mais o meu corpo e as coisas à minha volta“, revela.

Os monitores culturais vão parar no mural da Nitro Química, que une arte naif, grafite, caligrafia clássica e tags, onde a história de como se formou um dos bairros mais populosos de São Paulo é contada em um quilômetro de imagens. Do outro lado da avenida, os grafites underground fazem o contraponto com a cena urbana.

Para Rogério Rai, criador do projeto Pedale-se, que promove o cicloturismo em São Miguel, diretor administrativo da Ciclocidade,  e um dos monitores culturais, valorizar o território é muito importante. “A periferia é deixada para trás quando o assunto é cicloturismo. A ideia é fazer cicloturismo valorizando o bairro e sua identidade”, explica.

O roteiro Ciclokids, totalmente dedicado às crianças, será guiado pelo Parque Ecológico do Tietê, área de proteção ambiental projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake, com bosques, lagos, flora e fauna preservadas e equipamentos sociais. Tudo para garantir a segurança dos pequenos. 

O roteiro 2 terá tradução em libras e a participação da ONG Atitude do Bem, que faz a audiodescrição e leva ciclistas com deficiência visual em bikes duplas. Com a ajuda do monitor artístico David Misiuk, eles aprendem sobre os instrumentos e podem tocá-los com as mãos.

“A gente cria neles uma sensação de que estão andando de bicicleta sozinhos”, explica o diretor da ONG, Fabio Ogrisio.

Ciclistas da Rede Bike Anjo fazem a segurança dos pelotões para que participantes menos experientes se sintam seguros durante o passeio dentro e fora das ciclovias. Ensinam como se posicionar e a sinalizar antecipadamente a intenção dos movimentos com a bicicleta, respeitando as regras do trânsito. 

Emiliano Martins, um dos bike anjos voluntários desde o início da Ciclovia Musical, explica que a rede de apoio surgiu pela demanda de pessoas que tinham vontade de pedalar em grupo, mas tinham medo de começar. “A Ciclovia Musical é um passeio incrível. Hoje, a rede Bike Anjo ajuda a guiar os passeios com segurança, tudo para promover a bicicleta”, conta.

 

  

Rogério Rai, integrante do Pedale-se e monitor artístico da Ciclovia Musical (Pedale-se/ Divulgação)

O uso do capacete é obrigatório e todos recebem uma camiseta com a cor do seu roteiro. Camisetas amarelas serão utilizadas no roteiro 2, porque é a cor que os ciclistas de baixa visão conseguem perceber. Eles brincam com a cor e fazem o trocadilho “amar”, “ela”, amar a bicicleta.

A Ciclovia Musical vai promover também sete rodas de conversa com crianças e adolescentes do ensino público nas duas semanas que antecedem o evento. Longe dos rótulos colonialistas e elitistas que rondam as salas de concerto e a música clássica, a roda de conversa vai abrir os horizontes dos estudantes para a cultura e o pertencimento.

A jornalista Denise Silveira vai fazer a mediação e introduzir a importância da bicicleta como alternativa para a mobilidade urbana e preservação do planeta dentro do contexto dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU (ODS). Ela recebeu Menção Honrosa pela direção do filme Ciclovia Musical, no Mobi Film 2018 e será uma das palestrantes brasileiras na Velo-City, maior encontro global sobre bicicleta e cidades, que será na Eslovênia, em junho. Giane Martins, diretora da Ciclovia Musical também vai palestrar na Velo-city.

Raphael Paixão, monitor artístico e trombonista da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB), vai levar a história da música para os estudantes de uma maneira lúdica e descontraída. “Eu quero mostrar pra eles através de trilhas de filmes, músicas de videogame, às vezes tema de novela também, que é possível ouvir e gostar de música clássica sem parecer careta”, explica.