Passeata em meio ao coronavírus?

Crédito: Divulgação

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Marcam para o próximo dia 15 uma manifestação sem pé nem cabeça – fora de hora e de encontro às recomendações das organizações de saúde, com riscos concretos para quem participa – em protesto aos “inimigos” de Bolsonaro, alocados no Congresso e no Supremo. Em outras palavras, articula-se na marra e à revelia do momento delicado uma intimidação aos demais poderes, impulsionada irresponsavelmente – como de resto até as pedras do Lago Paranoá já sabem – pelo próprio mandatário Messias nas suas redes sociais e por asseclas aloprados. A ideia: reunir centenas (quem sabe, milhares!) de pessoas nas ruas pelo Brasil afora para mostrar força de reação e resistência às decisões que contrariam o “mito”. Dom Quixote, nas vestes de senhor do Planalto, e seu Exército de Brancaleone seguem marchando contra moinhos de vento. A satírica armada do capitão repete como farsa a esquadra do desajeitado cavaleiro de Nórcia, que tentava enfrentar perigos, inadvertidamente, como a peste negra, sarracenos, bizantinos, bárbaros, o que aparecesse pela frente. Herói de araque, tanto lá como cá. O patético capitão das paragens brasilienses imagina, quem sabe, sitiar e atemorizar parlamentares que não lhe são subservientes. Que falta do que fazer e de senso sobre o papel republicano que lhe cabe. Bolsonaro não percebe – nem se dá ao trabalho de buscar entender – que está mais do que na hora de acertar a sua articulação política, sem a qual chafurda no ridículo de um mandatário errante. Não se busca o entendimento via quebra-quebra e canelada, como gangues de briga de rua. O assustador, desta feita, é a absoluta leviandade e negligência de contrariar precauções sociais, estabelecidas globalmente, e que o momento está a exigir. O planeta inteiro vem evitando aglomerações, suspendendo eventos com maior afluxo de pessoas – seja qual for, de qualquer natureza. Nenhum encontro com mais de cinco mil participantes – diz a OMC – é aconselhável, devido ao avanço avassalador do coronavírus. Assembleias, manifestações, seminários corporativos, jogos da Libertadores – cogita-se até as Olimpíadas – vêm sendo cancelados. Mas no Brasil, não. Não precisa! Messias garante. Pegue a sua máscara, embarque na aventura ideológica – mesmo que possa atentar contra a própria vida, vai saber tem um das centenas de suspeitos de contaminação por lá – e siga-o cegamente. As falanges do mandatário, em muitos casos, se comportam tal e qual àqueles rebanhos suicidas de descerebrados que pulam até da ponte se o líder mandar. Havia desconfiança de que o fanatismo em curso poderia levar a extremos. Era um comportamento já verificado lá atrás em tribos petistas que veneravam o demiurgo de Garanhuns. Lamentavelmente, volta a se repetir em profusão, por ordem do Messias das milícias. O vírus da manifestação “nonsense” mostra-se, talvez, tão letal quanto o Covid-19 que vem vitimando milhares em todo o mundo. Organizações tresloucadas não medem esforços para martelar que a hora do confronto é agora. É o momento do “nós contra eles”! Lembram do mantra? Todo salvador de araque da Pátria o repete quando quer converter incautos e manter acesa a chama da beligerância. Portanto sigam todos, com desapego aos fatos, para atender ao chamado estúpido de quem propaga, diuturnamente, o odor putrefato do golpismo. A pequenez e fragilidade presidenciais são escancaradas em praça pública em atitudes bisonhas de quem, como ele, não sabe enfrentar os reais e urgentes desafios impostos à Nação. Bolsonaro é patético, na assepsia plena da palavra. Demonstrações para tanto exibe fartamente. A qualquer hora. Não precisa nem relacionar porque, todos sabem, preencheria um livro (quiçá, uma enciclopédia de aberrações), apenas ao longo do primeiro ano de gestão. Caminha, rapidamente, para compor uma biblioteca inteira de besteirol. Basta esperar! O medíocre militar (expulso dos quartéis) que virou medíocre parlamentar (com quase nenhum projeto em seus 27 anos de Congresso) foi ungido ao Planalto por uma conjunção acidental de fatores – a combinar o extremismo desmiolado e achacador dos petistas, com uma facada que lhe vitimou, além da anemia de líderes em outras frentes. Ali tenta agora consagrar a máxima de que a mesma mediocridade triunfará. E há quem acredite! Mesmo nas altas rodas. Até quando? O PIB ofereceu na semana passada um sinal de refluxo relevante: a menor taxa dos últimos três anos, portanto inferior a da gestão anterior de Michel Temer. É o preço por tantas trapalhadas. Meter o povo nas ruas nessa conjuntura será outra delas. Resta encontrar o paradeiro dos sensatos para barrar essa

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