Sonia Fatima Moura, mãe de Eliza Samudio, morta em 2010, afirmou, nesta terça-feira, dia 6, por meio de seu perfil no Instagram que a notícia sobre o passaporte de sua filha ter sido encontrado em Portugal tem lacunas e reclamou de alguns profissionais da imprensa que escolhem “ignorar a sensibilidade, a ética e a responsabilidade, deixando de investigar fatos com seriedade”.
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Segundo seu relato, ela precisou aprender, “da forma mais dura possível, que não se pode esperar humanidade, respeito ou atitudes profissionais de pessoas pequenas diante de uma dor que elas nunca precisaram sentir”.
“Minha filha está morta. E essa é uma frase que nenhuma mãe deveria repetir todos os dias para si mesma. Ela carrega uma saudade que aperta o peito, que sufoca, que nunca descansa”. Segundo Sonia, dói ainda mais ver a imagem de sua filha sendo usada “como se fosse um instrumento para gerar audiência, dinheiro e fama“.
“Cada exposição desnecessária reabre a ferida, aumenta o vazio e transforma a saudade em revolta. Minha filha tinha uma história, sonhos, um sorriso, e não pode ser reduzida a uma manchete fria”.
Por fim, ela firmou que o caso divulgado tem lacunas e pontos que não se encaixam e que ela não acredita que tudo tenha acontecido de forma aleatória. “Há fatos mal explicados, perguntas sem respostas e uma condução que apenas amplia a angústia de quem já vive um luto permanente”. Segundo ela, essas lacunas não são detalhes. “Elas pesam, machucam e gritam por esclarecimento”.
O que aconteceu
O passaporte de Eliza foi achado no fim do ano passado em um apartamento alugado em Portugal. O documento foi entregue ao Consulado-Geral do Brasil em Lisboa, nesta segunda-feira, 5, que confirmou a autenticidade e informou ter comunicado o Itamaraty, em Brasília. Segundo o portal Léo Dias, um homem, identificado como José, encontrou o passaporte de Eliza em uma estante do local, onde mora com a esposa, filha e inquilinos.
O documento, em boa conservação, foi expedido em 9 de maio de 2006, com validade até 8 de maio de 2011, é verdadeiro, único e não possui segunda via emitida. As páginas estão praticamente intactas. Consta apenas um carimbo de entrada, justamente em Portugal, com a data de 5 de maio de 2007.
Após a repercussão da história nas redes sociais, o irmão de Eliza, Arlie Moura, afirmou ao jornal O Tempo que o recente ocorrido “mexeu com o psicológico” e “deu uma balançada de novo”. Ele ainda confirmou que o passaporte é de Eliza, e agora é preciso investigar se ele foi perdido ou se houve roubo.
Em nota ao portal Léo Dias, o Consulado declarou que, neste momento, estão aguardando instruções sobre quais são os próximos passos com relação ao documento e, como não se trata de matéria de competência do Consulado, não há meios de informarem sobre o que vai ocorrer a partir de agora.
O Itamaraty informou à IstoÉ, que o Consulado-Geral em Lisboa foi instruído a remeter o passaporte, já expirado e cancelado, para Brasília. O documento ficará à disposição da família, caso tenham interesse em recuperar.
Relembre o caso
A modelo Eliza Samudio desapareceu no dia 4 de junho de 2010 após deixar o Rio de Janeiro a convite de Bruno Fernandes das Dores de Souza, então goleiro do Flamengo. A mulher havia se relacionado com o atleta e deu à luz um filho do jogador cerca de quatro meses antes do crime.
Durante a gestação, a vítima foi à Justiça para denunciar supostas agressões de Bruno e tentativas de forçá-la a abortar. Eliza desejava que o atleta assumisse a paternidade da criança.
Vinte dias após a última vez em que a modelo foi vista, as autoridades receberam denúncias anônimas que acusavam Bruno de espancar a mulher até a morte com dois amigos em uma propriedade do goleiro em Esmeraldas (MG). O filho do atleta com Eliza, então com quatro meses, teria sido levado pela esposa do jogador, Dayanne Rodrigues, e foi encontrado no bairro Liberdade, em Ribeirão das Neves (MG).
Um dos envolvidos detidos, um jovem de 19 anos, apontou que Marcos Aparecido dos Santos teria sido responsável por manter Eliza em cativeiro e a executar. No total, oito pessoas foram condenadas pelo sequestro e assassinato de Eliza, mas, até hoje, seu corpo não foi encontrado. A suspeita principal, baseada em relatos de testemunhas, é que seu corpo foi esquartejado e enterrado sob uma camada de concreto.
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