Comportamento

Passaporte da imunidade

O mundo tenta retomar as condições de vida normais e, para alcançar essa situação, sistemas de controle de saúde estão sendo implantados nos aeroportos de vários países. A partir de agora, quem não fizer testes e não tomar vacina terá dificuldades para viajar

Crédito: Amir Cohen

CONTROLE Turistas no aeroporto de Tel-Aviv, em Israel: rastreador, pulseira eletrônica e quarentena (Crédito: Amir Cohen)

MONITORAMENTO Uso de QR Code já funciona em cem cidades na China: leitura do código revela se o viajante está ou esteve doente (Crédito:Janis Laizans)

Viajar pelo mundo começa a ficar mais complicado e novas barreiras estão sendo criadas para impedir a circulação do coronavírus e identificar os movimentos de pessoas infectadas. Além de simples proibições, como a Alemanha fez agora com cidadãos do Reino Unido, da Irlanda, de Portugal, do Brasil e da África do Sul, impedidos de entrar no país, começa a haver um controle duplicado dos cidadãos que cruzarem qualquer fronteira. Eles só poderão entrar no país desde que estejam imunizados ou devidamente testados e, mesmo assim, serão monitorados à distância. Com o crescimento do nível de agressividade da Covid-19, essas medidas de controle se tornaram mais rigorosas e tendem a ser padronizadas. Na prática, um novo documento sanitário está sendo criado: uma espécie de passaporte da imunidade exigida para turistas. É certo que a pandemia ameaça a intimidade das pessoas com o controle em tempo real e a apresentação de atestados eletrônicos, mas não há outra saída. A partir de agora, quem não fizer testes e tomar vacinas será “persona non grata”.

Tyrone Siu

Desde o início da pandemia há um esforço para o desenvolvimento de planos que possam contribuir para a contenção das contaminações e, consequentemente, a retomada da vida normal em vários países. Por isso, a União Europeia propôs, na quarta, 17, um projeto que pretende organizar as especificidades de cada região do bloco, oferecer segurança à população e, aos poucos, trazer de volta os turistas. O documento está sendo chamado de “Certificado Verde Digital”, que reunirá informações dos viajantes, como comprovante de vacinação, resultado de teste contra a Covid-19 ou um atestado de recuperação da doença. Além disso, no documento deve constar o nome do imunizante tomado, o número de doses aplicadas, a data e o local onde ocorreu a vacinação. Nesse caso, quem tomou doses de vacina da BioNTech/Pfizer, Moderna, AstraZeneca e Janssen terá total liberdade de circulação. No caso de imunizados com vacinas não reconhecidas pela Agência Europeia de Medicamento (EMA), caberá ao país que está recebendo o viajante aceitar ou não a sua estadia. A intenção de limitar a circulação com a quarentena não é à proposta de Israel. No Oriente Médio, destaca-se o compromisso do governo com o arrefecimento da pandemia por meio da vacinação em massa.

Uso de rastreadores

Mesmo assim foi estabelecido o uso da tecnologia para ajudar na batalha contra a Covid-19. O país distribuiu um sistema de rastreamento composto de celular, dispositivo rastreador e uma pulseira eletrônica aos turistas que desembarcam no aeroporto da capital, Tel Aviv. O turista apresenta o resultado negativo do teste, tipo PCR, e coloca a pulseira. O sistema emite um alerta caso a pessoa retire o dispositivo do braço, mas com isso o viajante pode ir direto para casa em vez de ficar confinado em um hotel. O turista deve usar a pulseira durante os 14 dias equivalentes ao período da quarentena.

NOVO DOCUMENTO Agora, para viajar, turista terá de expor seu histórico de saúde (Crédito:Stephanie McGehee )

A implantação de sistemas tecnológicos de análise da saúde de turistas também é a forma preferencial de controle adotada pela China. O país colocou em prática a utilização do teste por QR Code. Assim que chega, o turista passa suas informações pessoais de viagem, especificamente se teve alguns dos sintomas principais relacionados com a Covid-19. Depois, ele recebe um código QR, que aponta se o viajante está ou esteve doente, ou ainda se é apenas uma suspeita de infecção. O dispositivo contempla os últimos 14 dias a partir da chegada. O aplicativo já funciona em mais de cem cidades da China e outros países, como Rússia e Japão, manifestaram interesse em adotar um sistema semelhante. A exigência de um passaporte de imunidade representa uma intromissão por parte do Estado na vida particular dos turistas, mas não tem jeito. A Covid-19 exige esse tipo de estratégia, pois o comportamento de cada pessoa e o controle de seus movimentos são importantes para debelar a contaminação.