O partido pró-militar de Mianmar garantiu uma vitória sem oposição nas eleições legislativas organizadas pela junta militar, segundo resultados oficiais analisados pela AFP nesta sexta-feira (30).
O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP, na sigla em inglês), pró-militar, conquistou um total de 339 das 420 cadeiras em disputa nas duas casas do Parlamento, representando pouco mais de 80%, segundo os resultados da comissão eleitoral.
As eleições, realizadas em três fases ao longo de um mês, terminaram no último domingo.
A votação foi cancelada em dezenas de distritos eleitorais devido à guerra civil que eclodiu após o golpe de 2021 que levou a atual junta militar ao poder.
A vitória garante ao USDP a maioria parlamentar e o direito de nomear unilateralmente o presidente quando o Parlamento se reunir em março, cargo que o chefe da junta militar, Min Aung Hlaing, não descartou assumir.
Analistas consideram o USDP, composto principalmente por oficiais militares de alta patente, uma extensão civil do exército, criada para dar uma aparência de legitimidade ao regime.
O golpe de Estado de 2021 desencadeou uma guerra civil que continua até hoje, e facções rebeldes consideram as eleições ilegítimas.
A líder da oposição, Aung San Suu Kyi, permanece detida pelo exército; seu partido, extremamente popular, foi dissolvido.
Mais de 22.000 pessoas permanecem em prisões controladas pela junta militar, segundo o grupo de monitoramento Assistance Association for Political Prisoners.
hla-jts/pc/ahg/aa