Partido Novo acusa AGU de censura por PL da Misoginia no TCU

Ação parlamentar no Tribunal de Contas da União questiona atuação do órgão em notificações a plataformas digitais

Adriana Ventura
Deputada federal Adriana Ventura (NOVO-SP) foi uma das signatárias da representação contra a AGU Foto: Reprodução

A bancada do Partido Novo na Câmara dos Deputados protocola, nesta quarta-feira, 22, uma representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) contra a Advocacia-Geral da União (AGU). A ação ocorre após o órgão federal notificar plataformas digitais exigindo a remoção ou rotulagem de conteúdos relacionados ao “PL da Misoginia“. Os parlamentares acusam a AGU de não garantir o direito ao contraditório e à ampla defesa, configurando uma possível censura.

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O que aconteceu

  • A bancada do Partido Novo protocolou representação no TCU contra a AGU, acusando o órgão de censura.
  • A AGU notificou plataformas digitais para remover ou rotular publicações sobre o “PL da Misoginia”.
  • Os parlamentares alegam violação de princípios constitucionais como o devido processo legal e a liberdade de expressão.

Os parlamentares do Novo afirmam que a AGU estaria utilizando a estrutura pública para promover a remoção extrajudicial de conteúdos opinativos publicados por cidadãos nas redes sociais. Segundo a representação, tais medidas foram adotadas sem a devida abertura de processo administrativo regular, o que, na avaliação dos deputados, viola princípios constitucionais como o devido processo legal e a liberdade de expressão.

Na última semana, a AGU enviou uma notificação extrajudicial ao X (antigo Twitter) para pedir a retirada de publicações contrárias ao projeto de lei que equipara a misoginia a crime de preconceito ou discriminação. Segundo o órgão, influenciadores estariam fazendo publicações que não eram informativas e utilizavam trechos que não constam no Projeto de Lei nº 896/2023, aprovado pelo Senado.

A polêmica ação da AGU

Um dos perfis notificados pela AGU foi o da jornalista Madeleine Lacsko. Segundo os parlamentares do Novo, ela teria sido alvo de medida baseada em “interpretação equivocada sobre o conteúdo de suas publicações”. Os parlamentares também apontaram, na representação, que havia “inconsistências factuais” nas notificações. Madeleine acusou o órgão de censura e de tentar “assassinar sua reputação”.

Horas depois, a AGU retirou a ordem de remoção de conteúdos publicados por jornalistas. Segundo o Novo, mesmo com o recuo do órgão, “o cerne da representação permanece inalterado”, visto que a ordem permaneceu para influenciadores e demais usuários das redes que publicaram conteúdos semelhantes.

Para os parlamentares, o ponto central seria “a ausência de contraditório e ampla defesa” para os usuários notificados. “A AGU ultrapassou todos os limites ao usar a máquina pública para censurar cidadãos. O Estado não pode se transformar em fiscal de opiniões nem perseguir quem pensa diferente. A democracia se fortalece com liberdade, não com intimidação”, diz a deputada Adriana Ventura (Novo-SP), signatária da representação.

Por que a AGU foi alvo de críticas?

A iniciativa também é assinada pelos deputados Marcel van Hattem (Novo-RS), Luiz Lima (Novo-RJ) e Gilson Marques (Novo-SC). No texto, os parlamentares argumentam que houve “desvio de finalidade” na atuação da AGU, especialmente por meio da Procuradoria Nacional da União de Defesa da Democracia.

A bancada do Novo solicitou ao TCU a concessão de medida cautelar para suspender imediatamente atos administrativos que tenham resultado em pedidos de remoção de conteúdo sem garantias processuais. No mérito, pede o reconhecimento de irregularidades e a revisão dos procedimentos adotados pela AGU.

O Estadão entrou em contato com o órgão e ainda aguardava um retorno até a publicação deste texto. Este espaço segue aberto. O PL da Misoginia, aprovado no Senado no último mês, define a misoginia como “a conduta que exteriorize ódio ou aversão às mulheres” e altera a redação da legislação vigente para incluir o termo “misoginia” entre as formas de preconceito já tipificadas — como as praticadas por raça, cor, etnia, religião e procedência nacional. Para mais detalhes sobre a aprovação, veja a matéria “Senado aprova PL que classifica misoginia como crime de preconceito previsto na Lei do Racismo”.

Ou seja, na prática, o projeto criminaliza a misoginia e a equipara ao crime de racismo. A pena prevista para esse tipo de crime é de dois a cinco anos de reclusão, além de multa.

*Com informações do Estadão Conteúdo