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Milhares protestam na Geórgia apesar de reformas propostas pelo governo

Milhares protestam na Geórgia apesar de reformas propostas pelo governo

Manifestantes anti-russos diante do Parlamento em Tiflis, em 23 de junho de 2019 - AFP

Milhares de manifestantes contrários ao governo se concentraram nesta segunda-feira (24) na capital da Geórgia no quinto dia consecutivo de protestos, apesar das promessas do partido no poder de fazer uma reforma profunda no sistema eleitoral.

Mais cedo, o magnata e líder do partido no poder na Geórgia anunciou “uma reforma política de grande alcance” eleitoral para as legislativas de 2020, uma reivindicação dos manifestantes que protestam diariamente desde a semana passada no país do Cáucaso.

O bilionário Bidzina Ivanishvili, apontado como aquele que controla o país, prometeu uma “reforma política de grande alcance” e assegurou que as próximas eleições legislativas seriam proporcionais.

Não haverá um patamar mínimo para entrar no Parlamento, acrescentou o homem mais rico do país.

Para a oposição, o sistema eleitoral atual favorece o partido Sonho Georgiano, fundado por Ivanishvili e no poder desde 2012.

Embora com essa iniciativa o magnata responda a uma reivindicação da oposição, que se manifesta desde quinta-feira, nada indica que isso bastará para tranquilizar os manifestantes, que pedem eleições legislativas antecipadas.

Os protestos começaram na quinta-feira após o discurso polêmico de um deputado russo no Parlamento georgiano, reflexo da tensão nas relações entre Tbilisi e Moscou, mais de uma década após o rápido conflito que opôs os dois países em 2008.

Essas mobilizações, que chegaram a reunir cerca de 10.000 pessoas, resultaram em confrontos, que deixaram 240 feridos – 160 manifestantes e 80 policiais-, segundo as autoridades.

Em agosto de 2008, o exército russo agiu após as forças georgianas terem iniciado um sangrenta operação militar na Ossétia do Sul, um território separatista pró-russo.

Em apenas cinco dias, as forças de Moscou derrotaram o exército georgiano e ameaçaram tomar a capital, Tbilisi.

Após gestões diplomáticas do presidente francês Nicolas Sarkozy, cujo país presidia à época a União Europeia, assinaram um acordo de paz que permitiu a retirada das tropas russas.

Mas Moscou segue reconhecendo a independência das regiões separatistas de Ossétia do Sul e da Abkházia (20% do território georgiano), onde mantém um forte contingente militar.