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Partido neofascista quer reviver ‘Marcha sobre Roma’

ROMA, 12 OUT (ANSA) – O movimento ultranacionalista Força Nova (FN) pretende reviver um dos momentos mais emblemáticos do fascismo na Itália, a “Marcha sobre Roma”, ocorrida em 28 de outubro de 1922, quando milhares de pessoas fizeram uma passeata para forçar o rei Vittorio Emanuele III a entregar o governo a Benito Mussolini.   

O FN convocou para o próximo dia 28, aniversário de 95 anos da manifestação que marcou a ascensão do Partido Nacional Fascista, a “marcha dos patriotas”, ato em protesto contra a entrada em massa de imigrantes na Itália.   

“Em 28 de outubro, Roma hospedará a grande marcha forzanovista contra um governo ilegítimo, para dizer um ‘não’ definitivo ao jus soli e para interromper as violências e estupros por parte dos imigrantes que tomaram de assalto nossa pátria”, diz a convocação do protesto.   

A marcha do partido neofascista, em pleno 28 de outubro, levantou uma onda de críticas no país e pedidos para que as autoridades proíbam a manifestação. “O Estado antifascista deve intervir para bloquear a Marcha sobre Roma”, afirmou nesta quinta-feira (12) o presidente da Associação Nacional dos Partigiani Italianos (Anpi) em Roma, Fabrizio De Sanctis.   

O ministro do Interior Marco Minniti disse que já determinou à Polícia da capital que não autorize a manifestação do Força Nova, mas ainda não foi anunciada nenhuma decisão final. Em 20 de setembro, ele havia se pronunciado no Parlamento para dizer que o ato evoca de maneira “clara” o nascimento do regime fascista no país.   

No entanto, ainda assim, os organizadores prometem manter a passeata. “Em 28 de outubro, estaremos nas ruas. Todos os italianos que amam verdadeiramente a pátria se manifestarão”, declarou o secretário nacional do FN, Roberto Fiore.   

Jus soli – O principal alvo do partido de extrema direita é o projeto de lei em debate no Parlamento que propõe uma mudança nas regras para concessão de cidadania italiana, introduzindo o princípio do “jus soli” (“direito de território”) na legislação.   

Atualmente, a nacionalidade no país é concedida por meio do jus sanguinis (em português, “direito de sangue”), que não será alterado. Um filho de pais estrangeiros, por exemplo, só pode pedir a cidadania após os 18 anos e apenas se tiver residido na Itália durante todo esse período.   

Com o jus soli, seriam beneficiadas milhares de crianças estrangeiras nascidas na península, mas desde que ao menos um dos pais tenha residido legalmente nela por um mínimo de cinco anos. (ANSA)