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Parlamento Europeu veta comissária francesa e irrita Macron

BRUXELAS, 10 OUT (ANSA) – O Parlamento da União Europeia rejeitou nesta quinta-feira (10) a nomeação da francesa Sylvie Goulard, indicada pelo presidente Emmanuel Macron para integrar uma das pastas no poder Executivo do bloco.   

Goulard, ex-ministra das Forças Armadas da França, havia sido designada como comissária de Mercado Interno e Indústria de Defesa e Espacial da UE, mas recebeu parecer negativo dos comitês competentes no Europarlamento.   

Em votações nas comissões de Mercado Interno e Indústria do Legislativo europeu, a francesa não conseguiu alcançar maioria simples dos votos e perdeu a última chance de garantir o aval da casa. Em uma primeira audiência, em 2 de outubro, ela precisava de dois terços dos votos.   

“Tomo consciência da decisão do Parlamento Europeu, no respeito à democracia. Agradeço ao presidente da República e a Ursula von der Leyen [futura presidente da Comissão Europeia] pela confiança e a todos os deputados que votaram em mim”, disse Goulard no Twitter.   

A principal ressalva à indicação da ex-ministra estava ligada a um escândalo envolvendo seu ex-partido, o liberal Movimento Democrático (MoDem), acusado de usar fundos europeus para pagar funcionários na França O caso provocou a renúncia de ministros do MoDem, incluindo Goulard, ainda no início do governo Macron, em junho de 2017. Em sua audiência, a francesa tentou usar o argumento da presunção de inocência, mas não conseguiu convencer o Europarlamento.   

“Se eu for investigada, o que não é a realidade atual, falarei com a presidente [Von der Leyen]. Uma pessoa renuncia quando é condenada, até lá ela é inocente”, disse aos eurodeputados.   

França – A rejeição a Goulard irritou o governo da França, que cobrou explicações. Segundo Macron, o resultado é fruto de “ressentimento e de baixeza”. “Lutei por uma comissão, sugeri três nomes, me disseram ‘sua indicação é formidável’, e depois falam ‘agora não queremos mais’. É preciso que me expliquem”, afirmou. A derrota de Goulard representa um duro golpe no presidente, que tenta se colocar como principal liderança da União Europeia, com a perspectiva de aposentadoria da chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em 2021.   

Cada Estado-membro tem direito a indicar um comissário para o poder Executivo da UE (cargo equivalente ao de ministro), mas as audiências no Europarlamento são famosas pela rigidez.   

Anteriormente, o Legislativo já havia rejeitado as nomeações da romena Rovana Plumb e do húngaro László Trócsányi. (ANSA)