Parlamento da UE congela acordo comercial com EUA

BRUXELAS, 21 JAN (ANSA) – O Parlamento da União Europeia suspendeu nesta quarta-feira (21) a tramitação do acordo comercial com os Estados Unidos, em meio às investidas do presidente Donald Trump para anexar a Groenlândia.   

O anúncio foi feito pelo presidente da Comissão de Comércio Internacional do Legislativo da UE, o social-democrata Bernd Lange, confirmando uma medida que já havia sido antecipada na última terça (20) pelo eurodeputado Manfred Weber, líder do conservador Partido Popular Europeu (PPE), dono da maior bancada na Eurocâmara.   

Segundo Lange, ao anunciar taxas alfandegárias contra países europeus que mandaram soldados à Groenlândia, Trump “rompeu” o pacto firmado em julho passado, na Escócia, “usando tarifas para exercer pressão política” e forçar a venda da ilha ártica. “É por isso que fomos muito claros: o procedimento permanecerá suspenso até que haja clareza sobre a Groenlândia e essas ameaças”, acrescentou.   

O texto estava previsto para ser ratificado pelo Parlamento Europeu na semana que vem e estabelece uma alíquota de 15% para produtos da UE entrarem nos EUA, que, em troca, ganham um regime de tarifa zero para acessar o mercado europeu em determinadas categorias.   

Na época, Trump chegou a anunciar uma tarifa de 30% contra o bloco, mas aceitou reduzir a alíquota para 15% após o compromisso europeu de investir US$ 600 bilhões nos EUA e comprar US$ 750 bilhões em bens energéticos americanos, sobretudo combustíveis fósseis, ao longo de três anos.   

O congelamento do acordo chega em meio à deterioração das relações transatlânticas por conta do desejo do presidente de anexar a Groenlândia, território autônomo pertencente à Dinamarca, país-membro da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).   

Trump anunciou recentemente uma tarifa adicional de 10% (podendo subir para 25% em junho) contra mercadorias de oito países europeus: Alemanha, Dinamarca, Finlândia, França, Holanda, Noruega, Reino Unido e Suécia.   

Já nesta quarta, em discurso no Fórum de Davos, na Suíça, o presidente disse que não pretende “usar a força” para tomar a Groenlândia, porém exaltou o poderio militar americano e assegurou que “não vai esquecer” se os europeus se negarem a ceder “esse grande pedaço de gelo” aos EUA. (ANSA).