Paris presta homenagem ao fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado

A prefeitura de Paris apresentou, nesta quinta-feira (19), uma exposição dedicada ao renomado fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, falecido no ano passado, numa mostra que reúne algumas de suas imagens mais emblemáticas e um projeto inédito sobre a capital francesa.

“Homenagem a Sebastião Salgado”, que poderá ser visitada gratuitamente a partir de sábado até 30 de maio, em um dos salões da sede municipal, apresenta cerca de 200 fotografias do autor de projetos famosos como “Êxodos”, sobre os grandes movimentos migratórios, ou “Gênesis”, sobre a origem do planeta.

Nesta exposição há imagens que “o definem e que nos definem, que definem o estado do mundo passado, mas sem dúvida também um pouco do presente e, infelizmente, do futuro, que mostram seus compromissos humanistas, porque há muitas mulheres e homens que trabalham, mulheres e homens que vivem, que sofrem”, disse a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, ao lado da viúva do fotógrafo, Lélia Wanick Salgado, na apresentação à imprensa.

Na mostra podem ser vistas desde as primeiras fotografias de Salgado em meados da década de 1970, na África, até algumas de suas imagens mais icônicas, como a de centenas de trabalhadores em uma mina a céu aberto em Serra Pelada, no Pará, ou grandes panorâmicas da floresta amazônica.

Para organizar a exposição, a viúva do fotógrafo disse que pensou que “era preciso prestar uma homenagem ao homem, não apenas ao fotógrafo”, e reiterou que o marido foi “uma pessoa realmente muito, muito engajada”, especialmente com o meio ambiente.

Viajante incansável, Salgado percorreu o mundo durante mais de meio século para fotografar conflitos, a pobreza, fenômenos migratórios e a imensidão da natureza.

A mostra apresenta também, pela primeira vez, cerca de 20 cliques que o fotógrafo fez de Paris, em 2024. A prefeitura lhe perguntou se gostaria de fotografar a cidade e fazer uma imagem que se tornaria o cartão de felicitações de fim de ano.

Embora Salgado tenha hesitado no início, explicou Hidalgo, acabou apresentando uma série de imagens, entre elas as margens do Sena e suas famosas pontes, várias árvores centenárias e a escadaria do Sagrado Coração de Montmartre. Foi o último trabalho fotográfico realizado pelo artista em vida, segundo o comunicado da mostra.

A exposição inclui ainda uma série de quadros de um dos filhos do casal, Rodrigo, que tem síndrome de Down e pinta desde criança.

Ao contrário das imagens do pai, sempre em preto e branco, as telas de Rodrigo são cheias de cores, com formas muitas vezes geométricas.

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