Mundo

Paris homenageará capitã de ONG alemã presa na Itália

PARIS, 12 JUL (ANSA) – A cidade de Paris homenageará a capitã alemã Carola Rackete, da ONG Sea Watch, que atua no resgate de imigrantes no mar e que está em uma batalha com a justiça italiana e com o vice-premier Matteo Salvini. “As duas capitãs do navio Sea Watch 3, Carola Rackete e Pia Klemp, receberão a medalha Grand Vermeil, a principal distinção da cidade de Paris, por salvarem imigrantes no mar”, informou a Prefeitura da capital francesa, em um comunicado nesta sexta-feira (12).   

“A medalha simboliza a solidariedade e o empenho de Paris no respeito aos direitos humanos” e será entregue “às duas operadoras alemãs perseguidas pela justiça italiana”, completou a nota.   

No mesmo anúncio, a Prefeitura de Paris informou que serão destinados 100 mil euros à ONG SOS Mediterranée para uma nova missão de resgate de imigrantes. Salvini imediatamente reagiu ao comunicado. “A Prefeitura de Paris premia com uma medalha Carola Rackete, ‘perseguida na Itália’. Não é piada”, afirmou o vice-premier e ministro do Interior da Itália em uma transmissão no Facebook. Rackete chegou a ser presa pelas autoridades italianas por forçar a entrada, mesmo sem permissão do governo, de um navio da Sea Watch com 40 imigrantes no porto de Lampedusa, ilha italiana no Mediterrâneo. O navio de Rackete chegou a colidir com um barco da Guarda de Finanças da Itália que tentava bloquear sua entrada no porto de Lampedusa. Libertada graças a uma decisão judicial que considerou que Rackete estava apenas cumprindo seu dever e seguindo as leis marítimas internacionais que afirmam que pessoas resgatas no mar devem ser transportadas ao porto mais próximo, a alemã apresentou nesta sexta-feira uma denúncia contra Salvi, pedindo à Justiça o bloqueio das redes sociais do expoente da Liga Norte. Segundo a ação escrita pelo advogado de Rackete, Alessandro Gamberini, as contas de Salvini no Twitter e no Facebook “instigam o crime” e são usadas para “potencializar de modo disruptivo uma mensagem de ódio”. (ANSA)