Paris decretou novas restrições nesta segunda-feira (5), incluindo o fechamento de bares, em face da retomada da pandemia da covid-19 que também preocupa Rússia e Reino Unido, enquanto os médicos do presidente americano, Donald Trump, decidirão “durante o dia” se ele pode sair do hospital.
Na capital francesa em alerta máximo de saúde, os restaurantes poderão permanecer abertos, mas terão de respeitar um rígido protocolo sanitário, de acordo com as novas restrições anunciadas pela polícia de Paris. As medidas entrarão em vigor nesta terça-feira (6) e serão mantidas por pelo menos 15 dias.
Shopping centers e lojas de departamento terão de controlar o “número de pessoas que podem se cruzar”, e feiras e conferências serão proibidas, segundo o chefe da polícia Didier Lallement.
“Essas são medidas de freio, porque a pandemia está indo muito rápido. Ela deve ser desacelerada antes que o sistema de saúde seja sobrecarregado”, afirmou.
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, considerou a situação de saúde “muito grave” em sua cidade.
A pandemia de coronavírus matou pelo menos 1.037.971 pessoas em todo mundo desde o final de dezembro, de acordo com um balanço atualizado pela AFP nesta segunda-feira.
Mais de 35.243.990 casos de infecção foram oficialmente diagnosticados, e pelo menos 24.354.200 pessoas são consideradas curadas.
– Um Trump ativo no hospital –
Enquanto a covid-19 afeta cada vez mais personalidades, os médicos do presidente Donald Trump, hospitalizado desde sexta-feira após ter testado positivo, vão anunciar “durante o dia” se ele pode deixar o hospital, anunciou a Casa Branca.
Apesar da doença, o presidente passeou de carro no domingo. Para surpresa de todos, um comboio de veículos pretos apareceu em frente aos portões do hospital militar Walter Reed, perto de Washington, no início da noite, e Donald Trump, mascarado, cumprimentou seus partidários pela janela do automóvel.
Esta iniciativa surpreendeu e suscitou fortes críticas, principalmente pelos riscos representados para os agentes do Serviço Secreto que o acompanham.
A equipe médica de Trump disse que a melhora nos sintomas foi tal que prepara seu retorno à Casa Branca, possivelmente nesta segunda-feira. Lá, poderá continuar as injeções de remdesivir, cujo tratamento intravenoso deve durar cinco dias.
Trump se esforçou, durante sua hospitalização, para transmitir a imagem de um presidente ativo, tuitando e telefonando, postando fotos dele “no trabalho” no hospital e publicando dois vídeos.
Na Europa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou nesta segunda-feira que entraria em quarentena até terça-feira à noite, após uma reunião na semana passada com uma pessoa, cujo teste foi positivo. O teste realizado em Von der Leyen nesta segunda deu negativo.
O outro chefe do Executivo europeu, Charles Michel, havia passado por uma quarentena de uma semana, após um caso de covid-19 em sua comitiva, resultando no adiamento da última cúpula europeia inicialmente marcada para 24-25 de setembro.
Na Lituânia, o ministro das Relações Exteriores, Linas Linkevicius, iniciou uma quarentena de oito dias após se encontrar, durante a recente visita do presidente francês, Emmanuel Macron, com um representante da embaixada da França que testou positivo para covid-19.
– Novo pico em Moscou –
Como Paris, Nova York (Estados Unidos) está pronta para anunciar novas restrições, em particular para fechar escolas e empresas não essenciais em nove bairros no Brooklyn e do Queens, onde o número de casos de coronavírus está aumentando drasticamente, de acordo com seu prefeito, Bill de Blasio.
O prefeito disse que deseja reconfinar esses bairros a partir de quarta-feira e que aguarda a aprovação do governador do estado, Andrew Cuomo.
A Rússia afirmou, por sua vez, que não planeja novas medidas de contenção, embora quase 11 mil novas infecções tenham sido registradas nesta segunda-feira, um número próximo ao pico em maio.
As autoridades consideram que o sistema de saúde é capaz de garantir o atendimento dos doentes e que os estoques de meios de proteção e medicamentos são suficientes.
“Não queremos (confinamento) e não o faremos”, disse a vice-primeira-ministra russa responsável pela Saúde, Tatiana Golikova, ao reconhecer um “crescimento sério” de casos.
Na Espanha, depois de Madri na sexta-feira, outras duas cidades, Leão e Palência, serão fechadas parcialmente a partir de terça-feira.
Na Irlanda, o governo enfrenta uma difícil decisão na segunda-feira, com seus conselheiros médicos recomendando um novo confinamento geral para conter o surto de novos casos.
País mais enlutado da Europa com mais de 42.000 mortos, o Reino Unido ultrapassou a marca de 500.000 casos no domingo (4). Na esperança de evitar um reconfinamento nacional, o governo britânico está intensificando as ações locais para tentar controlar a disseminação do vírus.
E uma boa notícia nesta segunda-feira. A primeira-ministra da Nova Zelândia, Jacinda Ardern, anunciou hoje a suspensão das restrições ordenadas em Auckland para conter a segunda onda da epidemia, afirmando que seu país “derrotou o vírus novamente”.